Irmãos e irmãs, hoje vocês vieram a Roma, essa Igreja que preside na caridade todas as Igrejas, para entregar a este que já exerce o ministério de Pedro os símbolos deste ministério. Sob a ordem do príncipe dos Apóstolos, na primeira leitura, recebemos o pálio pastoral. Este sinal da ovelha nos recorda o pastoreio do rebanho. Esse pastoreio não se dá pela dominação ou autoritarismo, mas, sobretudo, pelo modelo. Porém, ainda trago as imperfeições de ser humano. Por isso, peço que vocês também sejam modelo para mim. Tenho muito a aprender com cada um de vocês. Por esse motivo estou em vosso meio, caminho com vocês. O pastor caminha com as ovelhas e as guia, enquanto elas lhe aquecem. Vocês me aquecem o coração. Nesta relação deve haver confiança e cumplicidade. Quero ser com vocês e para vocês, estando junto, aprendendo e crescendo, amando, sofrendo e se alegrando. E nossa relação está selada pelo anel do pescador. Nas redes da Igreja estamos todos nós. Eu a vossa frente, como responsável em nome de Cristo - não em meu nome - e vocês atrás, como protegidos, mas, também, como aqueles que me empurram para a frente, e dão força para toda a Igreja marchar como Igreja peregrina. Por fim, irmãos, vocês me imporão o trirregnum. Essa tiara tripla que os romanos pontífices passaram a usar no século XII, para as mais solenes bênçãos e procissões, representam três realidades do papado:
1. O papa é pai de reis. Tem o poder temporal sobre o estado do Vaticano e deve promover a ordem.
2. O Bispo de Roma tem jurisdição e é pastor de todo o mundo, mantendo a unidade.
3. O papa é o Vigário de Cristo. Em nome de Jesus, com o santo magistério que guardamos e dele utilizamos, mantemos a fé intacta. Foi o próprio Cristo, como ouvimos no Evangelho, que deu a São Pedro essa posição, ao lhe dar as chaves do Reino, deixando-o na Terra em seu nome.
Engraçado ou irônico que os que tanto defendem este rito e bela tradição, negam os feitos por papas coroados: São João XXIII e São Paulo VI, negando até seus papados, além da grande bênção que foi para a Igreja o Concílio Vaticano II. Deixam, estes irmãos, a verdadeira Igreja, para adotar sua visão ilusória de Igreja. Esquecem-se, infelizmente, que o que nos tirou do paraíso foi a desobediência, e, assim, se condenam e buscam levar os outros, com eles, para o inferno. Quem negar o Concílio e/ou o papado atual da realidade, e/ou os criticar sem embasamento, pode sair desta Igreja: não há espaço aqui para estes. Além de que eu vos recomendo estudar filosofia e teologia, não só aristotélica/tomista - embora estejam aí algumas bases - e aprendam a fazer hermenêutica e exegese. Mas, repito, não há lugar aqui para estes, a não ser que se abram a Igreja de Cristo.
Mas, essa coroa que receberemos, ainda não é permanente. Ainda não é a coroa da glória que fala São Pedro na carta. A coroa da glória, para mim, será consequência de como eu usar esse trirregnum e administrar os poderes que ele me concede. Por isso, peço que rezem por mim, pois quero ser vosso servo. Se Cristo que era o maior se fez escravo, devo ser o servo de todos vocês. Essa coroa que vocês me entregarão me lembra muito mais a coroa de espinhos de nosso Senhor. Ela é pesada, traz dor e sofrimento, mas por ela, por esse ministério que hoje solenemente iniciamos, poderei ser com vocês aquilo que me propus ao chamar Clemente: leve, misericordioso e bom. Sustentado por vossa oração, sustentaremos a cruz de Cristo, com e por vocês, e pela salvação do mundo inteiro.
Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos.
Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.
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