DISCURSO NA CHEGADA A SALVADOR
Irmãos, que momento bonito chegarmos nessa terra de Santa Cruz e encontrarmos o local do descobrimento do Brasil. Daqui desse lugar, abençoado por Deus, bonito por natureza, o povo brasileiro se espalhou por todo esse território. Antes ocupado apenas pelos indígenas, os brasileiros originais, o primeiro povo dessa terra, que passou a conhecer Jesus Cristo como seu Senhor. É óbvio que no processo de conversão houveram atitudes que não condizem verdadeiramente com a nossa fé católica. Porém, a iniciativa dos pregadores Jesuítas trouxe a esse território, a essa terra, a pessoa de Jesus Cristo, o conhecimento da nossa fé, a verdade do Evangelho. Trouxeram até aqui a salvação e é por isso que estamos aqui agora reunidos, irmãos, para deixarmos aqui também a mensagem de Jesus Cristo aqui onde nasceu o Brasil como conhecemos. Queremos disseminar a palavra de amor e de paz que brota do coração de Jesus Cristo. A Bahia de Todos-os-Santos, dedicada a todos aqueles que se uniram a Deus, é sinal de um povo que quer dedicar-se e unir-se a Deus. Somos, irmãos e irmãs, ansiosos pela nossa união com Deus. Foi para isso que fomos criados e é para isso que caminhamos. Que nosso anúncio dentro de tantos anúncios não seja mais um anúncio político simplesmente por interesses pessoais. Mas, sejam anúncio de Jesus Cristo e de Jesus Cristo ressuscitado. Quando anunciamos a Jesus Cristo, obviamente, acabamos entrando nos campos da cultura, da economia, da moral, e outras áreas da sociedade, mas, não fazemos um benefício próprio. Pelo contrário, fazemos por um anúncio, o anúncio de Jesus Cristo. Que nesta dinâmica possamos ser pessoas inseridas na sociedade, preocupados com tudo o que se refere a vida comum. O estado é uma benção que Deus nos dá. Insiramos, pois, nessa sociedade, a mensagem de Jesus nosso Divino mestre e Redentor. Que momento bonito para mim como bispo de Roma, estar aqui presente com vocês e celebrar neste lugar, nesta cidade, o amor do nosso Deus. Ele olhou para essa terra e a abençoou de uma esplêndida beleza. E nós agora o louvamos e bendizemos por todos os benefícios que nos concedeu. Obrigado pela acolhida povo de Salvador. Que no reconhecimento de Jesus Cristo como nosso verdadeiro e único salvador todos nos empenhamos em seu bonito anúncio.
HOMILIA NA MISSA
Irmãos, estamos na última semana do tempo da quaresma é preciso ser perseverante. a primeira leitura nos mostra uma realidade a realidade do povo de Deus, que havia se revoltado contra o Senhor. Deus os tirou do Egito, mas, agora, eles passavam fome e queriam voltar ao Egito, queriam voltar a escravidão. Muitas vezes, irmãos, corremos esse mesmo risco de querer voltar para o Egito. Saímos do pecado e sentimos falta dele. Queremos voltar para aquela escravidão. Quando o povo sentiu a saudade do Egito, Deus os castigou enviando serpentes. Muita gente morreu pela picada da serpentes. O povo, então, se reconhece pecador. E, então, Deus manda que Moisés fizesse uma serpente de bronze e colocasse sobre uma haste para que todo aquele que olhasse para a serpente ficasse curado. Irmãos essa é uma prefiguração muito bonita de Jesus Cristo elevado na cruz. Já se aproximam de fato os dias da nossa paixão redentora, quando Jesus Cristo crucificado vence a morte. Jesus Cristo abraça a cruz com grande amor. Só Deus podia pegar um objeto de tortura, objeto de morte e transformar em objeto de glorificação. São Leão Magno, irmãos, em um dos seus sermões na paixão do Senhor, diz: "Ó admirável poder da cruz! Ó inefável glória da Paixão! Nela se encontra o tribunal do Senhor, o julgamento do mundo, o poder do Crucificado! Atraístes tudo a vós, Senhor, para que o culto divino fosse celebrado, não mais em sombra e figura, mas num sacramento perfeito e solene, não mais no templo da Judéia, mas em toda parte e por todos os povos da terra." É por isso, irmãos, que estamos aqui reunidos. É óbvio a paixão e a ressurreição se unem num só grande evento, já que nós na celebração eucarística celebramos paixão, morte e ressurreição. Tanto que não celebramos a missa na sexta-feira Santa porque ela também é ressurreição. É, sim, ao mesmo tempo a cruz mas a cruz, irmãos, já não é mais triste, já não é desgraça. Pelo contrário a cruz é graça, a cruz é Glória, é a cruz do Senhor ressuscitado: a cruz gloriosa, porque foi glorificada por Jesus. Mas, nós fugimos da Cruz. Porém, foi com a crucificação que Cristo manifestou plenamente quem ele era. Ele disse no evangelho de hoje: quando tiver de ser levado o filho do homem então sabereis que Eu Sou. Jesus se proclama duas vezes com o nome de Deus. Quando Moisés fala com a sarça ardente e pergunta quem era, ela responde Eu Sou. Jesus diz, então, que ele mesmo era Deus. E, quando elevado na cruz - vai ser muito bonito quando o mesmo São João colocar isso na sexta-feira santa - o soldado diz que de verdade esse homem, Jesus, era o filho de Deus. Só se reconhece Jesus como filho de Deus de fato na sua paixão, porque não há outro modo de um Deus que é amor, demonstrar amor, se não for através da morte, o extremo da doação da própria vida. Foi desse modo que Cristo concretizou aquele seu amor tão grande que seria capaz de vencer a morte. Por isso, irmãos, que nesta última semana quaresmal fica em nosso coração convite a olhar para Jesus. Talvez sua imagem esteja coberta e ainda será mais simbólico, porque olharemos e diremos: Jesus eu não te vejo, mas não te vendo eu enxergo com o coração, porque essa cena da tua morte está em meu coração, esperando que eu contigo ressuscite. E assim, irmãos, neste espírito queremos celebrar a páscoa do Senhor. Permitamos que pelo poder radiante da Cruz enxerguemos a glória do Senhor.
Nós vos adoramos senhor Jesus Cristo e vos bendizemos
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