Irmãos, Jesus não grita, nem precisa fazer escândalo para anunciar sua palavra. Na simplicidade de seu discurso está a centralidade do mesmo. Não é como os mestres da lei e os fariseus que precisavam gritar, fazer-se ser ouvidos para manter-se no poder. Jesus fala com calma, com mansidão. E assim, ele promove os julgamento das nações pois o espírito do senhor está sobre ele. É isso que vem nos falar o primeiro cântico do servo sofredor. Essa figura que há muito tempo os cristãos associaram a Jesus nos lembra o sofrimentos que o Messias precisou passar pela nossa salvação. Nós custamos um alto preço. Jesus aceita esse preço, paga com todo o seu sangue, suor, lágrimas, a dívida que tínhamos. Esse sacrifício vicário resgata a nossa humanidade. Éramos réus de morte, mas ele assume a nossa culpa. Como deveríamos morrer, o próprio Jesus Cristo entra na morte. Seu corpo antes de ser enterrado é ungido com perfumes, como era a tradição para época. Mas, muito maior ao perfume do seu corpo com a ressurreição, pois não é mais um perfume humano, é a própria glória de Deus. Contudo, antes essa glorificação Jesus Cristo precisou ser cadáver. Maria, hoje, unge os pés de nosso Senhor. Como nós também gostaríamos de estar ali, ungindo os pés do nosso mestre, tratando com carinho o nosso Redentor. Nossa humanidade é carente, somos seres sociais por natureza, precisamos dos outros, gostamos do carinho dos outros. Quanto mais Jesus, pouco antes de sua morte, sentindo-se só, não aproveitou dessa unção... Maria dava Jesus um pouco de descanso, um pouco de afeto, de carinho, de amor. Era um perfume caro, e ela despejava completamente nos pés do Senhor. Quanto mais caro é nossa vida, por isso, a derramemos no pé de Jesus. Hoje irmãos, nos falta muito este derramamento. A doação completa de nossa vida, de nossa essência, do nosso ser ao Senhor Jesus Cristo, é a única coisa que satisfaz inteiramente o nosso coração. Judas queria, ao menos fingindo, gastar aquele dinheiro com outras coisas. Mas a nossa vida não pode ser gasta com outras coisas, ela deve ser gasta com Jesus. Pode ser na vida consagrada, no clero, ou no matrimônio. O importante é doar a vida. Esse é o único caminho possível do cristão: entregar-se inteiramente nas mãos do Senhor, como ele entregou-se inteiramente pela nossa salvação. Ele foi a morte da morte, a ruína do inferno, para que não morrêssemos, para que não fossemos condenados. Pagou por todos nós o alto preço. Por quê não doarmos também a nossa vida?
Nós vos adoramos, senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
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