Irmãos e irmãs, celebramos a solenidade de São José, patrono da Igreja. Tão pouco sabemos sobre esse grande homem a quem foi confiado o cuidado de Jesus e de Maria. Mas, do pouco conteúdo que temos, conseguimos extrair que ele era um homem justo. Mesmo que desconsideremos os apócrifos, as Escrituras nos revelam essa grande característica do pai adotivo de Jesus. Alguns dizem que São José era mais velho e outros que era um jovem. Uns dizem que tinha outros filhos e outros que não. No fundo o que realmente nos importa é que São José era um homem justo. Justo a ponto de ver Maria, que merecia, segundo as leis e costumes da época, ser apedrejada e acolhe-la como esposa. Um homem precisa ter muita virilidade, muita convicção para ser justo a esse ponto. E esse foi São José: um homem justo. As Escrituras não colocam nenhuma palavra na boca de São José em momento algum. Foi homem silencioso. E, no seu silêncio, São José pode ouvir a voz de Deus por meio do seu sonho. Que São José nos ajude a ouvir e interpretar a voz de Deus. Irmãos, aceitando Maria como sua esposa, São José salva a própria Mãe do Salvador e o Verbo de Deus que estava em seu ventre, da morte cruel para a qual estavam destinados. José fez uma escolha. E, essa escolha tem suas consequências. Primeiro, José tem que admitir a todos que havia se deitado com Maria antes do casamento, embora não o tivesse feito. Sofreu com Maria por não poder ter dado a ela um parto confortável. Fugiu com Maria e Jesus para o Egito para evitar a morte daquele menino que nem era, de fato, seu filho, mas que ele criara como se fosse. Irmãos, imaginem que momentos extraordinários quando José, um bom judeu, ensinou as Escrituras para o seu menino Jesus? Logo para ele, irmãos, que é a própria Palavra. E Deus permitiu-se aprender de José. Aprender as Escrituras, o ofício, a viver. São José não foi hipócrita não, meus irmãos. Ele podia, já num primeiro momento ter julgado Maria, achado que ela tinha ficado com outro. Mas, não. E, irmãos, eu vos pergunto, quantas vezes nós não estamos, primeiro julgando os outros? Primeiro atiramos pedras nos outros e depois perguntamos o que aconteceu? Por que somos tão incapazes de ouvir a voz de Deus? Por que somos tão incapazes de sermos justos e vivemos na hipocrisia? Por que somos incapazes de sermos silenciosos e usamos a palavra de Deus para autopromoção, para julgar os outros? A lei mandava que Maria fosse apedrejada. Se José tivesse permitido isso, todo o processo do Cristo teria sido completamente diferente. Parem, irmãos. Parem de colocar a lei sobre a vida. Parem com isso porque estamos fazendo as pessoas se perderem. Se o Cristão é outro Cristo, estamos apedrejando outros Cristo, matando-os, porque nos consideramos os justos e justiceiros, guardadores da doutrina e tradição. Se São José, o justo que nem conhecia a revelação de Jesus, misericordiosamente acolheu Maria, por que nós não acolhemos os outros, mas apontamos o nosso dedo e os condenamos? Que nesse dia de São José, patrono da Igreja, peçamos a ele que livre a Igreja de Jesus Cristo da hipocrisia, dos falsos justiceiros, da injustiça, daqueles que, em seu lugar, matariam Maria e Jesus.
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