Irmãos, estamos celebrando o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor. Jesus assume um caminho sem volta. Faltando seis dias para a solene Páscoa ele entra na cidade Santa de Jerusalém e é aclamado como Rei de Israel. E, de fato, ele caminha para o seu reinado. Mas seu reino não é deste mundo. Seu trono de poder não é de ouro, mas de madeira. Seu trono não é vermelho da almofada, mas vermelho de sangue. Seu trono não é uma cadeira, mas é a árvore da Cruz. Ele, o Filho Eterno do Eterno Pai rebaixou-se a condição de escravo. Ele aceita o desígnio do Pai. Sacrifícios antigos não nos reconciliaram com o Pai, então Ele se faz sacrifício e nos reconcilia, uma vez por todas, com o Pai. Ele é a morte da morte, a ruína do inferno. Ele é um rei obediente e pela obediência é glorificado. Podia ter abandonado as dores, mas, não desvia o rosto, não volta atrás, aceita até a morte os sofrimentos necessários. A verdade é que ele era Deus, ao mesmo tempo que era homem. Mas, mesmo sendo Deus, ele sentiu o abandono do Pai. Como qualquer um de nós sente a dor da solidão, mesmo Deus estando conosco, Jesus sente. O Pai não o abandonara, mas estava ali, quieto, sofrendo por ver o sofrimento de seu Filho. Mas o grito de Jesus é o grito de toda a humanidade, principalmente neste tempo de pandemia da COVID-19: onde está Deus? Por que ele nos abandonou? Mas, a verdade, é que ele assiste calado a nossa dor, sofrendo pelo nosso sofrimento. Deus não pode interferir em nossa liberdade, mas quer que nós cuidemos. Ele espera que façamos nossa parte. Nossa solidão, isolados, muitos sem poder participar da Semana Santa, nos deve recordar a solidão do Rei Jesus. Ele fora aclamado como Rei, o Messias esperado, mas depois foi abandonado pelos homens. Precisamos tomar cuidado, pois corremos o risco de abandona-lo outra vez. A Campanha da Fraternidade trouxe um assunto muito oportuno: unidade. Hoje, cada um em sua casa, muitos perdem a fé Católica. Alguns a deixam pelo comodismo de suas casas, deixam de participar das missas e se afastam de Deus. Pela distância da Igreja outros passam a duvidar de Deus, e outros ainda acabam mudando de religião. Outros, porém, se tornam católicos de rede social, sejam modernistas ou tradicionalistas. Aristóteles diz e Santo Tomás de Aquino repete: "in medium virtus"; a virtude está no meio. Mas, para que ouvir o doutor Angélico no que não é conveniente? Essas pessoas rompem a unidade da Igreja e não só abandonam a Deus, mas também se tornam demônios, como Judas Iscariotes, traindo Jesus Cristo, o vendendo em troca de sua ideia de Igreja. Ideia que está ou no passado que já não existe mais ou num futuro que possivelmente nunca existirá. Irmãos, não o saudemos Jesus para depois abandona-lo. Dizendo hoje que Jesus é Rei, possamos abraça-lo até as últimas consequências, pois ele sabe que entrando hoje em Jerusalém não há mais volta, ele caminha para a cruz e Ressurreição, caminha para nos unir novamente com o Pai. Nós também possamos caminhar para a Páscoa buscando a comunhão com o Pai e fortalecendo a unidade da Igreja e entre a humanidade. Cristo é nossa paz, do que era divido ele fez uma unidade. Uma boa Semana Maior a todos!
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
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