domingo, 30 de março de 2025

30.03.2025 | IV Domingo da Quaresma

Dom Fernando, amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o IV Domingo da Quaresma, o Domingo Laetare, o domingo da alegria. Alegria porque nos aproximamos da Páscoa da Ressurreição. Alegria porque estamos provando e vendo como o Senhor é bom. Alegria porque experimentamos a misericórdia do Senhor. A primeira leitura, do livro de Josué, fala de um povo que faz a experiência de voltar à Terra Prometida e, pela primeira vez, comer dos frutos da terra. É a experiência da alegria e da misericórdia que Deus teve com eles. Essa mesma experiência está relatada no Evangelho que ouvimos, uma passagem bem conhecida por nós: a parábola do filho pródigo, ou melhor, do pai misericordioso. Essa parábola nos apresenta três figuras: o filho mais novo, o filho mais velho e o pai. O filho mais novo é aquele que, ao pedir sua herança e partir, simbolicamente mata o pai em seu coração. Depois de viver uma vida desregrada, sente saudade da casa paterna. Ele decide voltar, mas não como filho, e sim como servo. No caminho, ensaia o discurso que fará ao pai: "Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados." O pai, no entanto, é aquele que permanece à espera. Ele não impediu o filho de partir, mas sempre aguardou seu retorno. E, quando o vê ao longe, corre ao seu encontro, abraça-o e o cobre de beijos. O filho começa a falar, mas, antes mesmo de terminar, o pai já ordena aos empregados que tragam a melhor túnica, coloquem um anel em seu dedo, sandálias em seus pés e matem o novilho gordo para celebrar. O filho que esperava ser aceito como servo é restituído à dignidade de filho amado. Essa experiência do filho mais novo é a mesma que São Paulo nos apresenta na segunda leitura, ao escrever aos Coríntios: "Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura." O filho foi renovado pelo pai. E nós também podemos ser renovados e reconciliados com Deus, graças a Jesus Cristo, que assumiu nossa humanidade e se fez pecado para nos justificar. Mas esse pai misericordioso tem outro filho. Enquanto o filho mais novo celebra no banquete, o filho mais velho retorna do campo. Ele sempre esteve em casa, mas nunca viveu uma verdadeira intimidade com o pai. Ele representa aqueles que, mesmo dentro da Igreja, mesmo conhecendo a lei e os preceitos, ainda não fizeram a experiência do amor de Deus. Sua relação com o pai é fria, baseada apenas na obediência e no dever, sem alegria. Quantos de nossos irmãos e irmãs ainda fazem essa experiência de um Deus distante e rigoroso? O filho mais velho não quer entrar para a festa porque não compreende a misericórdia do pai. E o pai lhe recorda que há mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. Amados irmãos e irmãs, os que mais experimentam a misericórdia de Deus são aqueles que reconhecem sua necessidade dela. O que o filho mais velho não percebe é que, dentro ou fora de casa, ele também precisa da misericórdia do pai. Ele também precisa ser reconciliado. E nós? As festas que se aproximam são as festas da nossa reconciliação. Corremos para elas cheios de fervor e alegria, exultando na fé. Mas a grande questão é: entraremos e faremos juntos a experiência da misericórdia de Deus? Ou ficaremos do lado de fora, questionando se Deus realmente tem uma misericórdia sem limites?

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