Santo Padre, apenas quarenta e dois dias se passaram desde que na praça que está diante desta Basílica, vossa santidade apontou para a Igreja com o nome de Lucas IV e hoje rendemos graças a Deus por este pontificado, que em sua brevidade foi capaz de corresponder com os compromissos assumidos no próprio início. Não acho justo e nem suficiente, santidade, comparar o final de nenhum pontificado a João Batista que diz que não é ele quem deveria vir. Penso, justamente o contrário: cada papa está para o seu tempo. O papa é aquilo que a Igreja precisa para àquele momento mediante a sua possibilidade. Nenhum pontificado está para preparar o caminho para um sucessor, mas, está para exercer o seu ministério de sucessor de Pedro com beleza e seriedade. Por isso, não quero lhe associar a imagem do último dos profetas, mas, ao profeta que gritou na liturgia deste dia: Jonas. Foi um longo processo para Deus formar Jonas para que ele chegue a Nínive. O profeta tenta fugir, vai para o outro lado, murmura contra Deus, pois não estava ainda pronto para assumir a missão. E, assim também foi com vossa santidade. Não é um clérigo recém chegado na Igreja, mas, um homem experimentado com muitos anos de vida apostólica, sendo preparado não por algum de nós, mas, pelo próprio Deus. Os percalços do caminho vieram, sem dúvidas com muito menos murmuração do que com Jonas, mas aconteceram. Porém, quando Jonas chegou a Nínive, para onde Deus tinha lhe enviado, e quando vossa santidade assumiu a cátedra, para onde Deus tinha lhe guiado, ambos perceberam que a obra não é do profeta, não é do papa, não é do homem: a obra é de Deus. Àquela cidade que deveria ser percorrida em três dias e foi percorrida em um. Esse pontificado poderia tem um percurso maior a ser feito, mas quarenta e dois dias foram o suficiente para cumprir com a sua missão. Por quê? Porque se a obra fosse de vossa santidade certamente não se cumpriria. Não pelas vossas capacidades, que tão bem conhecemos, mas, porque a obra não lhe percente. A obra é de Deus. Este é, também, o sinal do Evangelho de hoje: a obra de Deus é a conversão. E a conversão foi promovida por vossa santidade em nossa Igreja. Uma conversão de corações. Deste modo, mesmo diante da dificuldade dos instrumentos, a obra de Deus aconteceu e continuará a acontecer. Que este capítulo da nossa história seja sempre visto com beleza, Santo Padre. E que o senhor seja recompensado por ter sido instrumento da ação de Deus em nossa Igreja. Nossa ação de graças ao Senhor é pelo senhor. Obrigado!
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