terça-feira, 25 de março de 2025

25.03.2025 | Solenidade da Anunciação do Senhor

"Tu não quiseste vítima nem oferenda, mas formaste-me um corpo.". Amados irmãos e irmãs, que saúdo na pessoa de Dom Gregório D'Aniello Cardeal Baldisseri, arcipreste desta basílica, estamos celebrando a Solenidade da Anunciação do Senhor. Há nove meses da celebração do Natal do Senhor, celebramos o Cristo que assume um corpo humano no ventre de Maria. Esta solenidade de Cristo, é portanto, profundamente Mariana. Bonito refletirmos que a tradição aponta para vinte e cinco de março como o dia de diversas ações da nossa história da salvação: o dia da criação e o dia da desobediência dos primeiros pais, o dia que Isaac é poupado do sacrifício de Abraão, o dia da saída do povo de Israel do Egito, o dia da anunciação do anjo a Maria e o dia da Paixão e Morte do Senhor. Todos estes mistérios estão apontados para o dia de hoje, e mesmo que não o tenham sido, fica para nós como todos eles estão conectados. A liturgia da Palavra de hoje passa da promessa ao cumprimento. Começa com a promessa na profecia de Isaías, da virgem que conceberá e dará a luz a um filho, o Deus conosco. O salmo é o texto que o autor da carta aos Hebreus da segunda leitura coloca na boca de Jesus: "Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!". Tanto o salmo como a segunda leitura nos recordam do amor de Deus que quis se encarnar. A própria encarnação já o sacrifício de Deus, pois, como nos diz São Paulo na carta aos Filipenses, Cristo não se apegou ciosamente a ser igual a Deus, mas humilhou-se a si mesmo. Em alguns dias estará diante de nós a cruz do Senhor, enquanto admiramos o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Não nos esqueçamos, porém, que toda a vida de Cristo foi sacrifício. Foi sacrifício de amor, oferecido phor nós, e sacrifício da nossa salvação. Pois o sacrifício dos animais da antiga aliança era apenas prefigurativos de um sacrifício muito maior. Este sacrifício que é a vida do Cristo precisava acontecer para que Ele, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, levasse a nossa humanidade de volta para junto do Pai, enfim reconciliada. E este sacrifício vivo começa no ventre de Maria. É naquele colo santíssimo que Deus toma forma de homem, que as duas naturezas, humana e divina, unem-se numa pessoa. Ela, Maria, é a cheia de graça porque a graça viria morar nela e, assim como ao povo de Israel na fuga do egito a coluna luminosa acompanhou, também o poder do Altíssimo a cobriu e fez dela imagem do novo Israel que é a Igreja, que porta hoje Jesus presente na Eucaristia e na Palavra proclamada, nos sacramentos e na vida do seu povo. Que Maria nos ajude hoje a, como diz a canção, gerar e formar Cristo em nós. E penetremos, irmãos e irmãs, com profundidade no mistério que é nosso Senhor Jesus Cristo. Nele, Deus e homem, aprendamos que não há outro caminho para a salvação do ser humano do que tornar-se imagem e semelhança de Deus, sacrifício de amor.

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