segunda-feira, 17 de março de 2025

17.03.2025 | Missa pro eligendo

Eminentíssimos senhores cardeais, os quais saúdo em nome de Dom Fernando Haddad, Vice-Decano, excelentíssimos senhores bispos, reverendíssimos presbíteros e diáconos, leigos e leigas, toda a Igreja de Cristo que saúdo em nome de Dom Raul Cardeal Steiner, nosso Camerlengo, "motivados pelo amor queremos ater-nos à verdade e crescer em tudo até atingirmos aquele que é a Cabeça, Cristo.". Este versículo da carta de São Paulo aos Efésios deve dar a tônica desta Missa pro eligendo Romano Pontifice, bem como do conclave que se se seguirá. SOMOS MOTIVADOS PELO AMOR:  A Igreja que nasce do lado aberto do seu Divino Redentor, Jesus Cristo, quando ele expira o Espírito, quando seu lado jorram sangue e água, nasce do coração do próprio Deus, nasce de seu amor. Porque o Filho que se entrega a morte, e estamos nos preparando nesta quaresma para celebrar este mistério na Páscoa, não se entrega por mera consequência dos pecados, mas, num ato de amor, pois "tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.". O fator determinante da Igreja, o fator determinante da História da Salvação, é o amor. Parece-nos tão batido, tão repetitivo falarmos da experiência do amor, que tantas vezes tangenciamos este tema central da nossa fé. E, para São Paulo, na carta aos Efésios, a nossa ministerialidade depende da motivação pelo amor. Cristo que nos instituiu para os ministérios a fim de edifcarmos o seu Corpo, que nos conduz à verdade que é Ele próprio, foi alguém que cumpriu sua missão, seu ministério no amor. Por isso, só cumpriremos a nossa missão, só concretizamos o nosso ministério no amor. Se não exercemos no amor, motivados pelo amor, tudo aquilo que fizermos permanecerá sem frutos, permanecerá seco, não terá sentido. Jesus no Evangelho, na cena da última ceia, diz: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor.". Só é capaz de permanecer na missão, irmãos e irmãs, quem permanece no amor. Se hoje a nossa Igreja lamenta a falta de compromisso, a baixa de clérigos, bem como a baixa do próprio Hotel, é porque antes esteve em baixa o amor. Faltou-nos por primeiro, a tantos daqueles que por aqui passaram, o amor pela nossa Igreja. E a falta do amor faz com que nós nos tornemos funcionários do sagrado e da Igreja façamos da Igreja uma estrutura aos nossos gostos, aos nossos moldes, do nosso jeitinho. Se hoje nos falta motivação, é porque nos falta amor. Precisamos, também, ser guiados pelo amor, guiados por alguém que ama a nossa Igreja. E seremos guiados para onde? PARA CRESCER EM TUDO ATÉ ATINGIRMOS AQUELE QUE É A CABEÇA, CRISTO. Àquele sobre o qual repousa o Espírito do Senhor é a nossa meta.  Nossa meta é sermos como Cristo. O amor nos impele a sermos como Cristo. O próprio Jesus no Evangelho nos dá o mandamento do amor "amai-vos uns aos outros". Esta noite elegeremos um papa, se Deus quiser, para ser imagem do Cristo-Cabeça, que governa e deve governar a Igreja no amor, em autêntico espírito de caridade. Santa Teresa de Lisieux em sua célebre frase "Dans le cœur de l’Eglise, je serai l’Amour", "No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor", evoca para nós nesta noite uma autêntica interpretação da nossa liturgia. Precisamos ser, na Igreja, amor. Que Maria, nossa mãe e mãe da Igreja, mãe do amor, nos ensine faça entender que ou amaremos a Igreja e seremos nela o amor, ou estamos destinando a Igreja a ser nada. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário