quarta-feira, 19 de março de 2025

19.03.2025 | Missa de início do ministério petrino

Eminentíssimos senhores cardeais, os quais saúdo no nome de Dom Fernando Cardeal Haddad, Vice-Decano do Colégio Cardinalício, excelentíssimos bispos, reverendíssimos presbíteros e diáconos, amados irmãos e irmãs, estamos reunidos para celebrar a Solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, neste dia em que início solenemente meu ministério petrino. A promessa de descendência que percorre toda a história da aliança, encontra em Abraão um ponto de referência, conforme nos apresenta São Paulo na carta aos Romanos. E é da descendência de Abraão, que vem Davi, do qual nos falou a leitura do segundo livro de Samuel. Davi é tido como o grande rei de Israel, apesar de seu pecado. A promessa de um trono estável e de uma descendência duradoura, porém, não encontra sua concretude como esperava o povo de Israel. Mas, da mesma descendência de Abraão e Davi, Jacó gerou José, conforme ouvimos no começo do Evangelho de hoje. Este Deus que fez a aliança lá atrás não se esqueceu dela. Muito mais abençoada foi a descendência de Davi, quando José, esposo de Maria, recebeu a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Mesmo que Jesus não fosse seu filho pelo sangue, em Jesus estava a descendência de José. E este filho era uma bênção muito maior para José do que qualquer laço de consanguinidade, pois o filho era o Filho de Deus. As Sagradas Escrituras impõe sobre José a maior das qualidades ao dizer que ele era justo. De São José não sabemos quase nada. Foi homem simples, trabalhador e do silêncio. Nada o ouvimos dizer na Escritura. Mas, ouvimos que ele era justo. Justo quer dizer que ele era temente a Deus. Justo a ponto de, não entendendo e pensando em abandonar Maria, tem esse desejo para que ele saísse como o errado, como o homem que engravidou a mulher e fugiu. Justo a ponto de acordar e fazer conforme o anjo do Senhor havia mandado. E José foi justo em tudo, quando teve de preparar as coisas para o parto de Jesus as pressas em Belém, quando voltou para Nazaré, quando fugiu para o Egito, quando voltou de novo para sua terra. José foi justo quando satisfez a lei, quando levou Jesus aos doze anos ao Templo. E ali, Jesus manifestou a nós a grandiosidade de seus dos pais, o Pai e o pai. O Pai do Céu: "Não devo estar na casa de meu Pai?". E o pai da terra, porque se Jesus era capaz de discutir com os mestres da lei, não era por algum tipo de reminiscência, porque Jesus não nasceu sabendo de tudo, e certamente não apenas pela escola da sinagoga, mas, sobretudo por José e Maria. São José era um homem justo e um bom pai, que certamente ensinou a seu filho Jesus as palavras da lei e dos profetas. José ensinou a Palavra de Deus para a própria Palavra encarnada; ensinou o Filho que havia saído do Pai, a relacionar-se com Deus como Pai; ensinou quem é Deus ao próprio Deus. Mas, José também teve a bonita missão de ensinar a Deus a ser homem. Ensinou-lhe, certamente, a sua profissão, seus valores, a se portar, e talvez até a tomar banho. É por isso que a Igreja sem medo confiou-se a São José como seu padroeiro universal. Se ele cuidou de Jesus, criou a Jesus, certamente cuidará da Igreja de seu menino, que é hoje o corpo místico de Cristo. Que São José hoje nos ensine a sermos mais humanos e ao mesmo tempo a estarmos mais em relação com Deus, o nosso Pai. Que a paternidade de São José, inspire a nós, pais na humanidade ou pais na espiritualidade, a uma paternidade digna de conferir-nos também o título de justos. E rezemos, irmãos e irmãs, rezemos por intercessão do coração bondoso de São José, que era homem de oração, pois apenas a um homem de oração Deus se revelaria como se revelou a ele, nos ensine a sermos homens e mulheres de oração, capazes de ouvir a voz de Deus e vê-lo no dia a dia. Rezai, irmãos e irmãs, rezai pela nossa Igreja, rezai pelo mundo inteiro e rezai por mim vosso servo e pai e que São José reze por todos nós. Valei-nos, São José!

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