Eminentíssimos senhores cardeais, amados irmãos e irmãs, como é tremenda esta hora da Missa Pro Eligendo Romano Pontífice quando nossos corações e vozes se unem num só pedido: Vinde, Espírito Santo. O vermelho desta noite já não é mais o vermelho do luto pelo nosso falecido Romano Pontífice, mas, o vermelho do fogo do Espírito Santo a quem pedimos esta noite que dê a este colégio cardinalício os seus dons, para que possamos eleger um novo Bispo para Roma e pastor para a Igreja universal. Precisamos sentir nesta noite, eminentíssimos pares no colégio cardinalício, quase que o sopro do Espírito Santo sobre nós. Deus próprio em nós. É ele quem suaviza os nossos corações, nos infla os pulmões de um novo respiro e nos dará capacidade para cumprirmos com a nossa obrigação. Este Espírito é Espírito da unção. Unção profetizada em Isaías, na primeira leitura que ouvimos, e tão marcante para nós. Pois, o próprio Jesus anuncia que nele está o cumprimento profecia. Ele é o ungido, o messias. Ele nos unge com o seu Espírito, no Batismo, na Crisma, nas Ordenações. Este Espírito é Espírito de amor. A graça de vivermos aquilo ao qual Jesus nos chama no Evangelho de hoje, o amor entre nós e a amizade com Ele, é ação do Espírito em nós. Na primeira carta aos Coríntios, São Paulo diz que ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor senão por ação do Espírito. E como é difícil sentirmos e permitirmos esta ação do Espírito em nós, que promove a amizade com Deus e o amor entre nós. Primeiro porque nós ocidentais perdemos muito desta característica pneumatologica e de mistério. Queremos explicações para tudo, sem entendermos que nem tudo tem uma explicação. Deixamos, por vezes, o Espírito Santo de lado e às vezes até o tornamos um semi-Deus. Não, o Espírito Santo é uma pessoa da Trindade, procede do Pai e do Filho. É Deus. Não o fiquemos invocando como se fosse um servo nosso, às vezes com desrespeito, esperando dele meramente um sentimento, em espetáculos religiosos sentimentalistas. O honremos como Deus que é com o Pai e o Filho! O Espírito nos faz amigos de Jesus porque é o nosso elo com Deus. Quando rezamos, e como não sabemos rezar como convém, é o Espírito que ora em nós e phor nós. O Espírito nos coloca em comunhão com o Pai. E aí, ser amigo, é entrar na comunhão, na intimidade. Estamos na intimidade de Deus pois ouvimos sua Palavra, porque ele se revela a nós. E, não apenas se revela a nós, mas, nos revela a nós. Jesus Cristo, nos ensina o Concílio Vaticano II, revela o homem ao próprio homem e descobre-lhe sua sublime vocação. E, acima de moções individualistas e particulares, o Espírito nos leva a abraçar a nossa vocação de sermos o amor. Deus é amor! Nós existimos em Deus. Portanto, também somos feitos de amor. Quando o homem se fecha ao amor-amizade com Deus ou com o amor com os irmãos, fecha-se a um ciclo de relações que é capaz de corresponder a sua própria vocação, aos seus profundos anseios. Por fim, na Carta aos Efésios que ouvimos na segunda leitura, São Paulo nos recorda que o crescimento da Igreja é no amor. Na diversidade de dons e na unidade da fé, somos chamados a nos edificar como Corpo de Cristo no amor. Eminentíssimos irmãos cardeais, esta perícope paulina fala muito a nós esta noite. Nós somos estes apóstolos instituídos por Cristo, que devemos, com maturidade e no Espírito da verdade, motivamos pelo amor, eleger um pastor segundo o coração de Cristo, que segundo o mesmo Cristo e o mesmo Espírito de Cristo, coordene e una as articulações do Corpo de Cristo para que possa em harmonia crescer e se edificar no amor. Certamente, o Espírito nos inspirará, apoiará e sustentará nesta missão. Assim seja! Amém.
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