Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o Quinto Domingo da Quaresma, nos aproximando da Semana Santa. A liturgia da Palavra deste domingo continua a nos apontar a grandeza da misericórdia de Deus, destacando qual é o momento de experimenta-la: HOJE! Após os últimos domingos terem nos recordado as grandezas do Senhor em Noé, Abrão e Moisés, o profeta Isaías hoje nos fala para não nos apegarmos ao passado, mas olharmos para Deus que faz novas todas as coisas. Sim, o Senhor fez coisas grandiosas com o povo da antiga aliança, fez coisas maravilhosas aos nossos antepassados em todos estes anos de cristianismo, mas, ele continua fazendo obras estupendas diante de nossos olhos. Tantas e tantas vezes somos nós que fechamos os olhos e os ouvidos e não conseguimos nos abrir à experiência da bondade do Deus todo-poderoso nas nossas vidas na nossa história. E quando reconhecemos somos nós este povo que exclama com o salmista: Maravilhas fez conosco o Senhor! Mas, só somos capazes de reconhecer essas maravilhas, quando ouvimos a voz do Apóstolo Paulo que fala à comunidade dos Filipenses que tudo devemos ter como lixo diante de Deus. Só o coração que está livre, desapegado das coisas deste mundo, é capaz de reconhecer as maravilhas de Deus. Muitas vezes ficamos ludibriados com tantas coisas, que nos esquecemos da simplicidade da ação de Deus. Reconhecendo a ação de Deus, temos coragem de deixar para trás o nosso passado e nos lançarmos em Cristo, que como diz São Paulo, é a nossa meta. Acolhemos, ainda, a nossa imperfeição. Paulo aceita ainda não ter alcançado a Cristo, a meta, mas, reconhece que Cristo já o acalçou. Assim como Jesus Cristo, no Evangelho de hoje, alcança com sua misericórdia a mulher pega em flagrante adultério. Esta perícope, embora joanina, tem características do Evangelho de São Lucas, por isso é lida neste domingo do ano C. Percebamos que a lei antiga já não era mais suficiente para Jesus. Alguns exegetas colocam no gesto de Jesus se escrever no chão, o gesto dele escrever uma nova lei. Assim como Deus escreveu na pedra as leis e as deu a Moisés, agora Jesus escreve na pedra do chão do Templo uma nova lei, que é a misericórdia. Mas, o próprio Jesus não descumpre a lei antiga, apenas a mostra insuficiente: "Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra.". Ora, ninguém pode se colocar nesta posição, e a lei que outrora era usada para acusar, agora é usada para misericordiar. A maravilha realizada por Deus na vida daquela mulher, foi a maravilha da misericórdia. E Jesus dialoga com a mulher: "Ninguém te condenou?" "Ninguém, Senhor." "Nem eu te condeno. Vai e não peques mais.". Sim, amados irmãos e irmãs, diferente do que pensam muitos cristãos e cristãs sobretudo em nossos tempos, Deus não tem pedras nas mãos prontas para lançar em nós por cada pecado que fizermos. Deus não nos condena, mas, exige de nós um caminho de conversão. Não pecar mais, que tantas vezes parece impossível, nos demonstra que pecamos porque estamos confiando nas nossas forças e não na graça de Deus, somos neopelagianos. Achar impossível não voltar ao caminho do pecado é recusar o caminho do amor, o projeto de Jesus e não precisarmos que os outros nos apedrejem, mas, nós mesmos nos apedrejarmos, incapazes de perceber a maravilhosa misericórdia de Deus para conosco.
domingo, 6 de abril de 2025
06.04.2025 | V Domingo da Quaresma
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário