quinta-feira, 24 de abril de 2025

24.04.2025 | Abertura do Caminho Sinodal

Eminentíssimos Dom Raul Gabriel Cardeal Steiner, Secretário geral do sínodo dos Bispos, Dom Felipe Cardeal Sampaio, Relator geral do sínodo, eminetíssimos senhores cardeais, excelentíssimos senhores bispos, amados irmãos e irmãs, nós estamos aqui reunidos nesta Quinta-feira da Oitava da Páscoa para iniciarmos nosso caminho sinodal rumo ao décimo terceiro sínodo geral dos Bispos, que se realizará em julho deste ano. Quis convocar para o sínodo deste ano um caminho preparatório. A imagem da Igreja da realidade e do sínodo dos últimos anos, quis que fossemos capazes de realizar um longo processo de escuta e de diálogo, para chegarmos a decisões maduras sobre o futuro de nossa Igreja. Mas, nenhum futuro ocorre sem base num passado. Diante do Ressuscitado, os discípulos do Evangelho de Lucas que acabamos de ouvir sentem medo. O medo é algo que nos estagna, nos torna inertes mediante a nova realidade que se impõe diante dos nossos olhos. Nossa Igreja não pode, amados irmãos, permanecer presa pelo medo. Não podemos deixar de correr riscos olhando para os fantasmas do passado. Precisamos ter coragem de correr os mesmos riscos, talvez até cometer os mesmos erros. E, quando Jesus Ressuscitado se revela aos discípulos os convida a olhar suas mãos e seus pés. Nas marcas do sofrimento e da cruz, Jesus revela que era ele mesmo. Porque, por mais que não possamos nos apegar ao passado, não podemos esquecê-lo. O Ressuscitado trás as marcas da cruz, porque são marcas de uma história de amor. Amor, amados irmãos, não é meramente um tema para quando não temos o que falar. Deus é amor. O amor deixa marcas profundas. O amor precisa marcar profundamente a nossa Igreja. As chagas da nossa história, precisam ser vistas phor nós como marcas de amor. O sofrimento e a dor do presente momento, onde lidamos com a baixa do Hotel, não pode ser motivo do nosso desânimo definitivo. Por isso este sínodo. Porque não é momento de desistir, mas, sim, de encontrar um novo jeito de ser Igreja. Diante de uma tendência que cresce dentro de nossa Igreja, quero conclama-los a amar a Igreja e persistirem nela. Enquanto alguns cismáticos já anunciam o fim da Igreja, eu vos anuncio diferente: persistiremos em Cristo Jesus, trazendo as marcas da Paixão na Ressurreição, mesmo que nos reduzamos aos poucos. E mesmo se nos reduzirmos a quase ninguém, amados irmãos, tenho certeza que seremos muito maiores do que qualquer outros pela qualidade e comprometimento dos nossos membros. É hora de abrirmos os nossos olhos para reconhecermos o futuro que está diante dos nossos olhos, que é momento de continuarmos no testemunho de Jesus. O reconhecimento de sermos povo sacerdotal neste sínodo será para todos nós um especial momento de reencontrarmos nossa vocação como oferecedores do sacrifício de louvor da nossa própria vida, como pregadores da Palavra de Deus e anunciadores de um amor capaz de vencer a própria morte. Enquanto há dois anos e meio, no último sínodo, falávamos de renovação eclesial, parece que esta renovação ainda não aconteceu. O tempo passado desde então trouxe-nos novos desafios que precisam ser refletidos. Mas, este sínodo também terá de ter os pés no chão. Ele exigirá de nós propormos algo que teremos o compromisso de concretizar logo. Tenho consciência, amados irmãos, que dado o tempo que levará até a realização deste sínodo provavelmente não serei eu a presidi-lo. Porém, permaneço convicto e cheio de esperança de que nele nós todos poderemos nos renovar como povo sacerdotal e fazer da nossa Igreja um reino de sacerdotes capazes de exercer verdadeiramente o próprio ministério. Confio que o Divino Espírito Santo, sob a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, de São José, dos Apóstolos Pedro e Paulo, de Santa Maria Madalena, nossa padroeira, conduzirá nosso caminho sinodal rumo a consciência da nossa missão sacerdotal e eclesial, no testemunho de Jesus Cristo, atentos aos sinais dos tempos, rumo a um novo tempo na nossa comunidade do Habbo Hotel.

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