Eminentíssimo Dom Raul Gabriel Cardeal Steiner, amados irmãos e irmãs, um gesto marca esta Segunda-feira da Semana Santa: seis dias antes da Páscoa, na casa de seus amigos, Jesus recebe a unção dos seus pés com perfumes de sua amiga Maria. Gesto que o próprio Jesus interpreta para nós, dizendo que ela fez isso em vista de sua sepultura. Um gesto ao mesmo tempo tão simples e tão nobre. Simples, porque aponta a acolhida a Jesus. Nobre, porque o perfume era caríssimo, porque era o reconhecimento dela da glória de Cristo. Um diálogo é colocado diante de nós, entre Jesus e Judas. Judas Iscariotes, incapaz de reconhecer a grandeza deste gesto, querendo embolsar e roubar o dinheiro deste perfume, diz que o dinheiro seria usado melhor para os pobres. Realidade esta que reflete uma infeliz parcela dos ministros de Deus, que utilizam-se dos pobres e do seu serviço caritativo para a auto-promoção. A caridade não deve ser mostrada, deve ser vivida. A resposta de Jesus - "pobres, sempre o tereis" - não deve ser interpretada como uma negativa de Jesus a ajuda econômica a estes. É, por outro lado, uma recordação de que a Igreja sempre deve cuidar dos pobres. E, neste momento, devemos cuidar do Corpo dele no altar e do Corpo dele nos pobres. Se fizermos isso, a fragância do perfume de Cristo será capaz de inebriar o mundo inteiro com o suave odor do amor, vindo de cada cristão e de cada cristã. Esta Segunda-feira Santa evoca para nós o nosso compromisso de ser a fragância do nosso Divino Redentor, o cheiro do Cristo Morto e Ressuscitado.
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