domingo, 27 de abril de 2025

27.04.2025 | II Domingo da Páscoa em Sufrágio do Papa Francisco

Eminentíssimo Dom Gregório D'Aniello Cardeal Baldisseri, Arcipreste desta Basílica Liberiana, amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o segundo domingo da Páscoa, festa da Divina Misericórdia, encerrando a Oitava Pascal com esta Santa Missa em sufrágio do nosso amado Papa Francisco. Oprimeiro dom dado pelo Ressuscitado aos seus é o dom da paz. No Evangelho que ouvimos, devemos ter uma clara imagem do que acontecia com os apóstolos: na mente deles permanecia a imagem de Jesus crucificado. Por isso, eles tinham medo, medo de que o mesmo acontecesse com eles. Mas Jesus ressuscitado entra no meio deles e lhes dá a paz. Como é difícil, em nossos tempos, onde vivemos sempre na ansiedade, na pressa, na autocobrança, vivermos a paz! O mundo parece querer viver numa velocidade muito rápida, na qual nós não damos conta de acompanhar. Por isso, Jesus nos deixa a paz. Mas só quem faz a experiência de Jesus ressuscitado consegue viver esta paz de Jesus. Quando Tomé faz a experiência do Ressuscitado, é capaz de fazer sua profissão de fé: "Meu Senhor e meu Deus." Não foi Tomé quem precisou tocar em Jesus, foi Jesus quem precisou tocar em Tomé. O toque de Jesus na vida de Tomé foi a paz. Se não aprendermos a ter momentos de intimidade, de paz com o Senhor, de fecharmos os olhos e nos colocarmos na presença dele, viveremos uma vida de muita correria, em busca de algo que nunca encontraremos. Porque a alegria que procuramos está dada como dom na paz do Ressuscitado.
Nestes dias, um dos grandes símbolos da paz em nossos tempos fez a sua Páscoa com Cristo. Hoje, nós o colocamos nas mãos de Deus, com a firme convicção de que Jesus Cristo, que tem a chave da morte e que vive para sempre, acolhe também o seu servo Papa Francisco nas moradas eternas. Papa Francisco foi um grande construtor da paz. Ele nos ensinou que a paz é um processo artesanal. Ensinou-nos que as grandes coisas não acontecem de um dia para o outro, mas a partir de processos que devem ser iniciados. Mostrou-nos que o rosto de Deus é misericórdia. Fez a Igreja refletir sobre as fragilidades do próprio corpo eclesial. O caminho aberto por Bento XVI, que desejava uma reforma na Igreja, pôde ser trilhado pelo Papa Francisco. Mas, como sempre, onde há movimentação do Espírito Santo, gera-se certa desarmonia. Nem todos estavam prontos, ou melhor, muito poucos estavam prontos para o que Francisco foi na nossa Igreja. Enquanto para muitos Papa Francisco simbolizava a destruição do símbolo do papado, na verdade ele nos mostra que há muitos modos de ser Igreja. Não podemos, amados irmãos e irmãs, neste momento de dor e sofrimento, querer ficar colocando na balança este ou aquele Papa. Devemos rezar com convicção por este nosso Papa Francisco, que passa para junto do Pai. Sem dúvidas, muito em breve a Igreja verá também Papa Francisco sendo venerado sobre os altares. Sim, porque em nossos tempos, se era verdade o que dizia Karl Rahner, que no século XXI o cristão ou seria místico ou não seria cristão, também é verdade que, em nossos tempos, o Papa ou será santo ou não conseguirá guiar a Igreja. Ao mesmo tempo em que pedimos que Deus acolha o seu servo Francisco, pedimos humildemente que nos conceda outro homem de coração disponível e aberto, que guie, na realidade, a Igreja de Cristo rumo à Pátria definitiva, onde todos os santos Papas e toda a Igreja celeste nos encontraremos no Senhor Jesus, vencedor da morte.

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