Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, que une, numa só celebração, dois grandes mistérios: o da entrada do Senhor em Jerusalém para aquela Páscoa que Ele adotou como sua, e o da sua morte na cruz. O Evangelho de São Lucas, que escutamos no início da nossa procissão, nos dá a tônica da nossa Semana Santa. Enquanto Jesus entrava naquele jumentinho - bem diferente do esperado, pois muitos pensavam que o Messias viria montado num glorioso cavalo -, o povo o aclamava como o Rei que vem em nome do Senhor. Os fariseus, no entanto, pedem a Jesus que repreenda seus discípulos. Mas Jesus lhes responde com firmeza: "Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão." Essa frase, por si só, deve dar a tônica da nossa Semana Santa: nós temos a missão de anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Essa é a glória de Deus: o Cristo que glorifica o Pai com a própria vida. Nossa missão é proclamar este Jesus, a partir da nossa própria experiência com Ele - como Mestre, como Servo, como o Cordeiro que passa pela cruz. A narrativa da Paixão do Senhor que ouvimos hoje coloca diante de nós vários personagens e diversos modos de proclamar Jesus Cristo: Há o povo, manipulado pelos mestres da Lei e pelos fariseus, que fala de Jesus como um malfeitor. Há Pôncio Pilatos, que fala de Jesus, mas com omissão. Há os soldados, que zombam e insultam. Há o mau ladrão, que também zomba. Mas há também o bom ladrão, que defende Jesus e lhe pede que se lembre dele. A este, Jesus promete: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso.” E há, ainda, o oficial romano, que proclama: “Este homem era justo.” Diante de tantos personagens, com quem nós nos identificamos? Qual é o nosso modo de falar de Jesus Cristo? Qual seria o nosso ideal? Amados irmãos e irmãs, se nós não falarmos de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, as pedras falarão. Que Deus nos dê a coragem de proclamá-Lo com a nossa vida, o mistério pascal de sua paixão e vitória sobre o pecado e a morte. Num mundo de tantas omissões, de tantas mentiras, num mundo em que muitos pensam ter encontrado um sentido, mas permanecem no vazio, que nós tenhamos sempre a coragem de olhar para Jesus, pedir perdão e comprometer-nos com o anúncio do seu Evangelho, palavra de libertação e vida eterna.
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