terça-feira, 13 de julho de 2021

13.07.2021 - Missa Tridentina

Irmãos, não nos basta viver clamando "Senhor, Senhor" para entrarmos no reino dos céus. A Salvação não vem apenas pela nossa fé e pela nossa oração, mas, também, pelas ações que realizarmos. Não podemos viver alheios a realidade na qual estamos inseridos e acharmos que seremos salvos. Na carta aos Romanos, São Paulo disse que devemos frutificar na santidade. Ora, quais são os frutos da santidade senão os frutos do amor? É esse amor que nos faz dar um prato de comida ao necessitado e ir ao encontro daqueles que estão desamparados e desesperados, mesmo que apenas com a nossa presença. Não podemos viver uma fé alheia aos sofrimentos dos outros. Não podemos viver uma fé que seja alienada. Não podemos ter uma fé que só olhe para cima e que, caminhando olhando para cima, tropeça e pisa nos que precisam de nós sem o mínimo peso na consciência. Mais do que aderirmos a Jesus Cristo, a salvação depende de vivermos conforme as obras de Jesus Cristo. Nossa entrada no Reino dos Céus dependerá de nossos frutos. Nessa noite, em especial, quero elevar a Deus uma prece por aqueles que tem como fruto a divisão da Igreja de Cristo por causa de ritos. Que o Senhor tenha piedade de todos aqueles que, na defesa deste rito que celebramos nessa noite, negam a ação do Espírito Santo na Igreja e desrespeitam os Santos Padres. Estamos, irmãos, celebrando um rito de missa que tem por volta de 600 anos. O Rito Romano, como promulgado após o Concílio de Trento por São Pio V para toda a Igreja, com exceção daquelas Igrejas que já tinham ritos próprios com mais de 200 anos de uso, era o missal da cúria Romana. Este rito foi evoluindo através dos séculos e mesmo depois da promulgação de Pio V foi editado muitas e muitas vezes, sendo alterado mesmo antes do Concílio Vaticano II. Assim, a missa que hoje celebramos é segundo o rito de 1962 e foi promulgado por São João XXIII. Esta é a Forma Extraordinária do Rito Romano como foi aprovado por Bento XVI em seu motu proprio Sumorum Pontificum. Já é uma missa aprovada nas portas do Concílio Vaticano II e isso nos demonstra a ação de Deus que vai acontecendo na História da Igreja como constante ação do Espírito Santo. Assim, embora existam as diferenças entre os dois ritos, ambos são o mesmo rito romano e em ambos a graça de Deus se manifesta com eficácia. Cada um é mais conveniente para um grupo de pessoas, pois, a Igreja nunca deixou de adaptar-se de acordo com os tempos. Que na Igreja cessem as brigas pelos lados dos tradicionalistas e dos que os atacam, a fim de que todos possamos nos unir, como irmãos, num mesmo altar e num mesmo banquete: o do Cordeiro de Deus. Para esse banquete eterno caminhamos pressurosos, enquanto nesta vida vivemos praticando as obras de Jesus. Amém.

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