domingo, 11 de julho de 2021

11.07.2021 - XV Domingo do Tempo Comum

Irmãos, a Palavra de Deus não é produto para ser vendido, mas, verdade para ser anunciada. Nos tempos do profeta Amós era comum que os reis tivessem seus profetas. Os profetas do rei eram pagos pelo seu senhor, para que profetizassem aquilo que eles queriam ouvir. Quando Amós vai profetizar em Israel, saindo de Judá, ele encontra Amasias, um profeta do rei. Amasias o quer expulsar, para que Amós conquiste seu pão, seu salário, em outro lugar. Amasias trabalha com a profecia, ele é funcionário dela. Amós, por outro lado, diz que é apenas um homem que estava pastoreando, quando Deus o chamou. Assim, devemos ser nós, irmãos e irmãs, quando nos colocamos nos serviço do Reino de Deus e de maneira especial os sacerdotes. Não somos funcionários de Deus, que vivem buscando recompensa financeira pelo que fazemos. Somos escolhidos por Deus para sermos anunciadores de sua Palavra. Não nos deve importar se vamos ganhar algo com isso ou não. Nada deve nos ser mais importante que o anúncio do Reino de Deus. Como é triste vermos clérigos e tantos cristãos e cristãs tão apegados a coisas materiais. O nosso direito, que alguns filósofos dirão que é até natural, à propriedade, não existe senão para que nós possamos exercer e praticar a caridade e o desapego. Isso não significa não ter. O próprio Senhor, no Evangelho que ouvimos, envia os discípulos com algumas coisas. O fato é, que é o ter e colocar em comum; o ter e deixar que todos usem e usufruam. Quando nos prendemos as coisas, não conseguimos caminhar pra frente. Se os discípulos levassem muitas tralhas no caminho, fossem muito apegados, o anúncio do Reino de Deus ia ser mais dificultoso. Quando se libertam de tudo e caminham livremente, podem anunciar a vinda do Senhor Jesus. E, quantas bagagens nós, irmãos e irmãs, não temos trazido conosco? Não trazemos apenas coisas materiais as quais somos demasiadamente apegados e nos atrapalha na vivência de Deus. Trazemos também sentimentos: egoísmo, raiva, rancor, inveja, tristeza, ressentimento. Vivemos, muitas vezes, num excesso tão grande de passado, que não conseguimos viver o presente de Deus em nossa vida. O passado não existe para nos aprisionarmos a ele, como muitos fazem. Pelo contrário, o passado existe para que, olhando para ele, aprendamos e sejamos pessoas melhores. Nossos erros e acertos servem para nos tornarmos cada vez mais maduros. Precisamos deixar tantas tralhas para trás, para podermos, de fato, seguir a Jesus Cristo. Precisamos deixar tantos objetos, tantos pensamentos e sentimentos, tantos apegos em várias áreas de nossa existência. Se não desapegarmos, se não abandonarmos, não adiantará o seguimento de Jesus. Claro, todos nós temos uma bagagem em nossa vida. Mas, quando esta bagagem nos fixa em um ponto e não nos deixa sairmos dele, é hora de deixarmos para trás. Por isso, São Paulo disse na carta aos Efésios: Pelo seu sangue - o de Jesus -, nós fomos libertados. Assim seja! Amém.

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