sexta-feira, 16 de maio de 2025

16.05.2025 | Discurso ao Colégio Cardinalício

Eminentíssimos senhores cardeais, não poderia eu, no crepúsculo deste pontificado, às vésperas de encerrar o meu ministério petrino, deixar de me despedir de cada um dos senhores. Faço isso com grande espírito de ação de graças, em primeiro lugar, a Deus. Como aquela jornalista publicou na noite de ontem, é o final do meu décimo pontificado. Não posso deixar de ver nisso um grande sinal da ação de Deus. A ação de Deus na nossa Igreja do Habbo Hotel, mas que também se volta para a minha vida na realidade. Porque, se aqui por tanto tempo pude presidir esta Igreja, como repito ao final de todos os meus pontificados, é para mim também sinal do chamado de Deus a presidir a comunidade cristã na realidade. O ministério presbiteral, para o qual me sinto chamado na realidade e para o qual caminho cada vez mais apressadamente, não será a mesma coisa se não fosse por esta Igreja. Sou grato a Deus, porque aqui posso sempre desenvolver os meus dons no serviço e no espírito de caridade, lidando também com as minhas próprias dificuldades e misérias. Com a nossa Igreja, posso sempre crescer. Assim, também sinto que, em todos estes momentos, e de modo especial neste nosso pontificado de Paulo VI, pude crescer e ajudar a Igreja em seu crescimento. É claro que o conclave na vida real teve uma grande responsabilidade na agitação existente neste momento de nossa Igreja. Por isso, para mim, também foi um momento propício para renunciar. Celebrar convosco a despedida do nosso amado Papa Francisco, para depois passarmos ao início deste grandioso pontificado que será o de Leão XIV. Diante do desânimo, fiz questão de estar o mais presente possível, de acordo com as minhas dificuldades, para caminhar com a Igreja. Dificuldades de tempo, estas que bem sabiam Vossas Eminências no dia em que me elegeram ao Sumo Pontificado. Não posso deixar de dizer, porém, que esse desânimo eclesial também, em diversos momentos, se abateu sobre mim. Para mim, a principal missão deste pontificado era reanimar a Igreja no espírito de Cristo Ressuscitado. E, graças ao laborioso trabalho de Vossas Eminências, isso foi possível. Como dizem os jornais a meu respeito, sou marcado como um homem de estabilidade. E apesar desta estabilidade, se conseguimos promover uma ação evangelizadora melhor, se conseguimos retornar antigos clérigos e, assim, animar a Igreja, promovendo nestes últimos tempos também novas vocações, o caminho sinodal já iniciado tende a ser um grande momento na vida da Igreja. Portanto, desde já, peço ao meu sucessor, que está entre vós, cardeais da Santa Igreja Romana, que tenha uma especial atenção com este Sínodo. Não é o meu nome que será feito a partir deste Sínodo. Pelo contrário, é a própria Igreja que quer crescer a partir do silencioso grito dos seus bispos e cardeais. É a Igreja que quer ouvir aqueles que a presidem, mas também ouvir aqueles que não a presidem e aqueles que dela estão fora. Tenho a firme convicção de que, se bem realizado, este Sínodo pode dar um novo ânimo, sangue novo às veias da nossa Igreja. Por isso, também é momento de valorizar esse sangue novo. Valorizar as novas ideias, as novas iniciativas, repensar tantas coisas que outrora não seriam aceitas. Sei também que não poderia ser eu a fazer isto. Mas há sentimentos, do mais profundo do meu coração, que gostaria que se realizassem e se concretizassem a partir do próximo Sínodo. E, se for para isso acontecer, será pela graça de Deus, na ação do Espírito Santo. Confiemos, portanto, o governo da Igreja ao Divino Espírito, e Ele não nos deixará desamparados. Neste Jubileu da Esperança, enchamos o nosso coração de esperança, reconhecendo que, sim, nossa Igreja tem um jeito. Há um futuro. Este não é o final. Há ainda uma grande trajetória a ser feita phor nós, pelos nossos membros, pelos nossos atuais e futuros clérigos. Nunca será momento de desistir da nossa Igreja,até o dia em que o Habbo Hotel deixar de existir. Até lá, sempre haverá uma Igreja: uma Igreja que ora se reduzirá a poucos, ora será uma grande Igreja; uma Igreja que ora será fiel, ora será infiel à missão dada pelo Divino Redentor; uma Igreja, ora animada, ora fechada à ação de Deus; uma Igreja, enfim, que ora amará, ora não amará. Mas uma Igreja que não deixará de existir.

Caros Dom N., N., 

muito obrigado, porque, se não desistimos da Igreja, também é por obra vossa. Muito obrigado, porque sem o vosso trabalho nada teria sido possível. Obrigado por fazerem valer cada puxão de orelha — e por me darem puxões de orelha. Obrigado pela vossa amizade. Obrigado, não apenas por me permitirem presidir mais uma vez esta Igreja, mas por me fazerem viver, neste pontificado, a intensidade do amor a Deus e aos irmãos e irmãs. Muito, muito, muito obrigado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário