Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando nesta Basílica a Solenidade de sua padroeira, a Bem-Aventurada Virgem Maria de Fátima. Quero saudar o eminentíssimo reitor, Dom Raul Gabriel Cardeal Steiner e em seu nome saudar a todos os que estão aqui presentes. A Santíssima Virgem de Fátima é uma das aparições marianas que mais atraiu devoções ao longo do último século. Atraiu nossos olhares porque está envolta por uma dinâmica de revelação, aparição, mistério e segredos. Mistério este, revelado aos pequeninos, aos pastorinhos, e hoje revelado a todos os que se fazem como crianças, que se colocam com um coração pequeno e humilde diante da grandeza dos mistérios de Deus. Aquela Senhora, vestida de branco, radiante de luz, está preocupada com o gênero humano e trás uma mensagem ao mesmo tempo de dor e de esperança. E, se logo todos queriam ver e contemplar esta Senhora que as crianças falavam, e iam com elas até o encontro de Maria, Maria lhes dá um sinal. Mas, o maior sinal que dá não é aquele realizado nos fenômenos como a dança do sol. Este sinal era para apontar para um outro sinal: "Eu sou a Senhora do Rosário". O sinal, a contemplação a ser feita deste Deus que se revela, se faz por meio da oração. O rosário ou o terço, são orações singulares de contemplação da Igreja latina. Não podem ser diminuídos como mera expressão de uma comunidade de analfabetos que não podiam rezar os salmos, mas, torna-se verdadeiro ato contemplativo do mistério de Deus por meio da suave repetição de Aves-Marias. E o pedido da Virgem Maria continua desde aqueles tempos até hoje para nós: rezai, rezai pela humanidade. Amados irmãos e irmãs, é de muitíssimo valor a vida ativa, a ação social, pastoral, evangelizadora. Mas, se nossa prática cristã não for embasada numa vida de profunda oração, torna-se outra coisa, e não vida cristã. Cristo antecedia sua ação ministerial por momentos de oração. E, na sua despedida, rezou por todos os seus discípulos e por cada um de nós, na grande oração sacerdotal. Do mesmo modo, se vivermos uma vida de oração que não se resulta na prática do Evangelho no dia a dia, temos uma fé morta, falsa, fingida. Amados irmãos e irmãs, olhemos à Virgem do Rosário de Fátima, em sua serena preocupação, e aprendamos dela a fazermos da nossa vida uma oração e da nossa oração uma intercessão por toda a humanidade, que ainda se recusa a conhecer a Deus, que não entende a obra de Cristo, que não permite que o Espírito Santo transforme o nosso mundo num reino de paz.
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