Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando esta Celebração Eucarística em ação de graças por este nosso pontificado que se concluirá no sábado. Nesta Eucaristia, faço da minha voz um brado de gratidão ao Senhor, que nos permitiu chegar até aqui; das minhas mãos erguidas, um louvor ao eterno Deus; do meu coração, mais uma vez inflamado de amor por voz, um sacrifício de ação de graças. No Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus nos recorda que o servo é menor que o senhor, o mensageiro, menor do que quem o enviou. Todos nós somos enviados por Jesus. Somos menores do que ele, mas, ao mesmo tempo, quem nos recebe, recebe o próprio Cristo. Mas, como nos ensinou o Divino Redentor, somos felizes se em nossa vida soubermos por em prática a nossa pequenez, se soubermos sermos os menores. Enquanto muitas vezes tendemos a nos gloriarmos por sermos enviados por Deus, por sermos discípulos, apóstolos de Cristo, na verdade, deveríamos encontrar nisso o motivo da nossa diminuição. Quando São Francisco e Frei Leão conversavam sobre a perfeita alegria, o pobrezinho de Assis reconhece que a perfeita alegria não está na pregação realizada, nem em levar por obras os outros a Jesus, nem em realizar curas, milagres ou ressurreições, nem em falar todas as línguas, mesmo a dos anjos. E se em uma noite de neve chegarem ao mosteiro e o porteiro não acreditar que eles eram Francisco e Leão e recusar sua entrada, e, diante de sua insistência de entrar, o porteiro sair para fora e espancá-los e deixá-los lá, abandonados na neve, depois de apanhar, com frio e fome e eles reconhecerem que estão unidos ao Cristo sofredor, vencerem a si mesmos e mantiverem a paz e a alegria diante disso tudo, esta é a perfeita alegria. Que alegria, que felicidade tão diferente daquela que nossa lógica está habituada. Que felicidade é esta que não vem da glória, mas, da diminuição, da dor? Amados irmãos e irmãs, Jesus nos dá este conselho depois de lavar os pés dos discípulos. Ele próprio tinha feito sua diminuição, seu rebaixamento, sua Kenosis que culminaria na Cruz. O evangelista João precisava ter colocado ali esta fala de Jesus, pois apenas ali ela faz sentido. Mesmo com todas as dificuldades, com o medo, sentindo nossas dores, Cristo se fez o servo obediente, e nos enviou para sermos servos. No final deste meu pontificado, preciso eu mesmo bater no peito e reconhecer a minha culpa por tantas vezes não ter sido o servo dos servos de Deus que deveria ter sido. Devo me fazer, também, grato. Grato a todos aqueles que de um modo ou de outro colaboraram com meu ministério e com toda a Igreja seja pela realização dos próprios ofícios ou pela corresponsabilidade assumida e vivida para que nossa Igreja seja a Igreja semper reformanda que tanto desejamos. Quando iniciamos este pontificado, o Colégio Cardinalício me entregou algumas situações especiais que sinto que conseguimos dar passos significativos. Passos estes que não me gloriam, mas, glorificam a Deus e que são de responsabilidade de todos aqueles que comigo assumiram a necessária ministerialidade da Igreja com a maturidade que nos era necessária. Decidi escolher o nome de Paulo VI por causa do grande São Paulo VI, o papa que concluiu o Concílio Vaticano II e o levou a cabo, aplicando-o na Igreja. Mas, na figura de Paulo VI, algo que também me marca profundamente: o amor pela Igreja. Amados irmãos e irmãs, membros desta nossa Igreja Habbiana, precisamos ser homens e mulheres apaixonados pela Igreja. Enquanto há os grandes críticos, que só aparecem para causar confusão, existem no nosso meio grandes pessoas que fazem da sua paixão pela nossa comunidade virtual um dom para o crescimento do nosso apostolado, e pelas quais devemos louvar a Deus. Acredito que os processos iniciados neste período continuarão com afinco, de modo especial o Sínodo para os Bispos, que pretende ser um profundo momento de mudança de paradigmas para nossa Igreja. Não tenho medo de deixar ao meu sucessor a presidência deste sínodo, pois sei que os apelos que crescem dentro da nossa comunidade não serão de modo algum abafados e que é necessário escutar a voz do Espírito, os sinais dos tempos, que urgem na Igreja. Confio, acima de tudo, que tudo o que fizemos e tudo aquilo que se realizará, a obra de Deus, não me pertence. Fui apenas um enviado, um apóstolo, para uma missão petrina na Igreja por este período que pude exercê-lo convosco. Com todo o meu amor por esta Igreja e reconhecimento da minha pequenez diante da grande missão que me foi confiada, não posso deixar de parafrasear Jó e dizer: enhor, meus ouvidos tinham ouvido falar de vós, mas, pela vossa generosa ação na minha vida, e, por minha vida, na vossa Igreja, meus olhos podem te ver! Obrigado, Senhor! Muito, muito obrigado, Senhor! Muito obrigado a todos!
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