domingo, 11 de maio de 2025

11.05.2025 | IV Domingo da Páscoa

Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o Quarto Domingo da Páscoa, o Domingo do Bom Pastor. A cada ano a Igreja nos convida a refletirmos uma parte do décimo capítulo do Evangelho de São João. Neste ano, especificadamente, ouvimos a última parte, sobre ouvir a voz do Bom Pastor e a relação de Jesus com o Pai. Interessante percebermos que a Liturgia deste domingo vive uma tensão entre Jesus como o Bom Pastor e Jesus como o Cordeiro. Justamente, a segunda leitura, do livro do Apocalipse, trata Jesus como o Cordeiro sentado no Trono. Então somos capazes de compreender que Ele só é o Bom Pastor, porque antes foi o Cordeiro. Só é o Bom Pastor porque antes soube ouvir e confiar-se nas mãos do Pai. Seguiu de tal modo a voz do Pai, a bondade do Pai em sua vida, que foi obediente até a morte e morte de cruz. E, por isso, também, ressuscitou no Pai e no Espírito Santo. Assim, Cristo se fez o Bom Pastor, porque ele próprio soube ser ovelha. Porque foi ovelha, cordeiro, de tal modo, que atingiu a plenitude de ser o nosso Bom Pastor. É o nosso exemplo. Jesus Cristo é o paradigma para todo ser humano. Portanto, também nós somos convidados nesta noite a sermos ovelhas e pastores. Ovelhas na medida em que ouvimos a voz do Bom Pastor. Ouvimos sua voz na Palavra proclamada, nos irmãos e irmãs e na voz da nossa consciência. O problema, é que muitas vezes a voz do Bom Pastor é silenciada em nosso coração pelas nossas vontades, pela nossa própria voz, que deseja algo diferente do que deseja para nós o Bom Pastor. Aí, precisamos saber discernir o que é voz de Deus e o que é nossa voz, a voz das nossas paixões, a voz dos nossos desejos mais íntimos. Se não quisermos ouvir a voz de Deus, acontecerá conosco como com a comunidade dos judeus da primeira leitura, nos Atos dos Apóstolos. De tal modo eles se fecharam a ouvir a voz de Deus por meio dos Apóstolos que lhes anunciava Jesus Cristo, que este anúncio passou a ser feito aos pagãos. E, os pagãos, acolheram com alegria da Palavra de Deus. Se não ouvirmos, se abafarmos a voz de Deus, chegará um ponto que não mais escutaremos. Amados irmãos e irmãs, ouvir a voz de Deus nas nossas vidas é chave para que, a exemplo do Bom Pastor, sejamos pastores para os irmãos e irmãs. Pastores como facilitares do caminho para Deus. Não pastores por conta de um ministério ordenado. Mas, pastores pelo compromisso cristão, de sermos protagonistas de Jesus Cristo no mundo que vivemos e que tantas vezes se recusa a ouvir Deus que fala. Sejamos, pois, ovelhas e pastores, à imagem de Cristo, o Cordeiro de Deus, o Bom e Belo Pastor que nos precede na eternidade e para lá nos conduz: a vida eterna.

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