terça-feira, 9 de abril de 2024

09.04.2024 | Discurso na chegada ao Brasil

Amados irmãos e irmãs, os quais saúdo de modo especial na pessoa de Dom Raul Cardeal Steiner, núncio apostólico para o Brasil, é com grande alegria que me encontro convosco nesta noite, onde nós iniciamos a nossa visita Apostólica ao Brasil. Este é um momento de encontro. Momento de encontro entre o bispo de Roma e o seu povo. Entre aquele que tem a missão de presidir a Igreja na caridade e aqueles que são o seu rebanho, as suas ovelhas. Por isso, não posso deixar de dizer, de destacar a minha grande alegria em estar convosco. Estar em território brasileiro, estar na Terra de Santa Cruz é estar junto deste povo tão fiel ao Senhor e que tanto o ama. Nesta noite venho para confirmar-vos na fé. Esta é a principal missão do sucessor de São Pedro, confirmar as comunidades na fé. E esta fé é a nossa fé no ressuscitado. É a nossa fé na pessoa de Jesus Cristo. E esta visita é um momento singular de encontro. Encontro é sempre o encontro entre duas pessoas. Encontro este que devemos ter feito com Jesus ressuscitado por ocasião da Páscoa, mas que também fazemos todos os dias, com as diversas pessoas. Talvez hoje um dos grandes problemas da nossa Igreja seja que nos falta esse encontro. Às vezes estamos tão fechados em nós mesmos que não criamos aquela necessária cultura do encontro. A cultura do encontro nos faz sair de nós mesmos para irmos até aquelas realidades tantas vezes desconhecidas, tantas vezes amedrontadoras. Mas que é necessária para a nossa missão. Sem o encontro, nós não podemos ser cristãos. Sem o encontro, nós não podemos ser Igreja. E como falta na nossa Igreja a cultura do encontro... Venho até vós para fomentar em voz essa cultura do encontro. Cultura do encontro do arcebispo e dos seus bispos auxiliares, cultura do encontro dos bispos com os presbíteros, cultura do encontro do clero brasileiro com a Cúria Romana. Cultura do encontro da Igreja com aqueles que estão fora da Igreja. Cultura do encontro com as outras comunidades cristãs que estão presentes e que fazem a sua missão de evangelização. Cultura do encontro com aqueles que se encontram desanimados, com aqueles que se encontram desesperados. Com aqueles que ainda não conhecem nosso Senhor Jesus Cristo. Com aqueles que ainda procuram aquele que é o maior sentido de suas vidas, de suas almas e não encontram. Cultura do encontro com os diversos campos da política, da sociedade. Cultura do encontro com aqueles que ainda se encontram desencontrados. Porque muitas vezes nós estamos desencontrados, não apenas com os outros, mas às vezes estamos desencontrados conosco mesmos. Então, primeiro, precisamos nos encontrar conosco mesmos, precisamos nos achar. E para a Igreja, urge esta missão de encontrar-se para poder encontrar. A Igreja do Brasil precisa ser justamente a Igreja do encontro. Pois é aqui que estão as pastorais, é aqui que está a nossa realidade mais próxima do povo de Deus. Mas se tantas vezes nós não nos encontramos como Igreja, se não estabelecemos diálogo entre nós como Igreja, se não participamos da nossa vida como Igreja, como autêntica comunidade, também não vamos nos encontrar com os outros. Algumas preocupações dos eminentíssimos senhores cardeais nas congregações gerais que prepararam a minha eleição eram: o que a Igreja está fazendo no ad extra, ou seja, no pra fora, na nossa relação com o povo de Deus. Confesso que esta realidade me preocupa muito, mas também me preocupa o ad intra, como nós estamos nos relacionando entre nós, como estamos nos encontrando. Sem um autêntico encontro interno entre as comunidades eclesiais, entre as estruturas eclesiais, entre os sujeitos eclesiais, que somos todos nós, não haverá encontro, não haverá missão evangelizadora, não haverá sequer Igreja. O auge da minha visita, é a reunião com os colégios episcopal e presbiteral, que obviamente será acompanhada também por diversos cardeais, inclusive nos reuniremos para fazer um balanço na quinta-feira. Mas o meu foco é estar na vossa realidade, entender a vossa realidade e as vossas dificuldades, conversar, dialogar convosco, bispos e presbíteros, para que possamos pensar nas melhores soluções para os problemas que assolam a nossa Igreja hoje. Não de um modo impositivo, não de um modo que seja a hierarquia impondo algo sobre vocês, mas todos juntos, com o sentido de co-responsabilidade e de pastoralidade, possamos pensar o melhor para a Igreja, que é de todos nós. Assim, nos ajude Deus, pela intercessão de São Pedro de Alcântara, co-padroeiro do Brasil, e de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e padroeira do nosso Habbo Hotel. Ela que é a mãe do encontro, que sai apressadamente ao encontro de sua prima Isabel para servi-la, nos ensine a fazer do encontro com as realidades aqui presentes o nosso encontro com Deus. Obrigado pela vossa acolhida. Prossigamos em paz. Deus abençoe o Brasil e Deus abençoe o nosso clero brasileiro.

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