Amados filhos e filhas, neste último domingo do Ano Litúrgico, celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Neste dia, encerramos o Ano Sacerdotal, convocado e iniciado pelo meu antecessor João III, de venerável memória. Na primeira leitura nós ouvimos a unção do rei Davi. Davi é o grande paradigma de rei do povo de Israel. O rei Davi foi um rei justo, bom, apesar de seu pecado. Mas, foi um rei segundo os moldes de reinado deste mundo. De sua descendência, nasceu Jesus. Jesus é um rei diferente. Seu reinado não é deste mundo. Jesus revelou para nós que o poder não é autoridade, mas é serviço; ele não nasceu num grande palácio, mas numa manjedoura; na sua missão, não era só aplaudido, mas perseguido; entra em Jerusalém num burrinho, não num cavalo branco; na Ceia, lava os pés dos servos; na Cruz, serve sua própria vida ao Pai, na obediência e no amor. Que rei é este? Que rei diferente! Sim, o rei Jesus subverte as nossas noções e os nossos ideais de poder, de majestade. O trono de Jesus foi a sua cruz, seu cetro foi a lança que abriu o seu lado e fez correr sangue e água, sua coroa foi de espinhos. Não há outro rei como este em todo o universo. E diante desse rei nós temos duas posições: podemos ficar parados ou podemos entrar na dinâmica de seu reino. No Evangelho que ouvimos, duas figuras se destacaram, além do próprio Jesus: o bom e o mau ladrão. O mau ladrão permanece parado diante de Jesus, não consegue fazer o movimento interior de ir ao encontro do Senhor e zomba de Jesus. Zomba de Jesus como os outros zombavam, como Pilatos zombou ao colocar a placa chamando Jesus de rei dos judeus. O bom ladrão, porém, chamado de Dimas pela tradição, mesmo preso pela crucificação, faz o movimento de sair de si e entrar no dinamismo do reinado de Jesus. Qual é o reinado de Jesus? É o reinado do amor, da misericórdia. Dimas pede pra entrar no reinado de Jesus e encontra a misericórdia do Senhor. Jesus, com seu olhar amoroso, mesmo na cruz, encontra com o olhar de Dimas. O assassino foi perdoado. Deus não cansa de nos amar. Por isso, no tempo, o reinado de Cristo é o reinado do amor. Na eternidade, onde ele é o juiz da história, nos julgará pelo amor. Entremos, pois, nesta dinâmica do amor do reino de Jesus Cristo e sejamos capazes de mover os nossos corações ao encontro dos outros, principalmente dos que sofrem. Jesus Cristo crucificado é também o modelo de Sumo e Eterno Sacerdote. Jesus se oferece uma vez por todas ao Pai, e nos ensina a também nós, sacerdotes pelo batismo, oferecermo-nos em sacrifício de louvor. A Jesus Cristo, Rei do Universo, Sumo e Eterno Sacerdote, Senhor do tempo e da história, louvor e glória pelos séculos dos séculos. Amém.
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