Amados filhos e filhas, saúdo de modo especial a Dom Vito Cardeal Lavezzo, nosso eminentíssimo Secretário de Estado. Estamos celebrando o trigésimo segundo Domingo do Tempo Comum e hoje somos inseridos na dinâmica da Ressurreição. Sabemos que a crença na ressurreição dos mortos não existiu desde sempre na história do povo de Israel, mas, foi sendo inserida na religiosidade do povo com o passar do tempo. Deste modo, a vivência da fé no Deus único ultrapassa uma obrigação a leis morais, para que Deus seja o protetor do povo neste mundo. Esta realidade é transcendida, quando, no tempo dos Macabeus, a fé na ressurreição passa a ser disseminada entre os judeus, como nós ouvimos na primeira leitura. Os Macabeus já tinham uma fé firme na ressurreição, na vida após a morte. Mas, é com Jesus Cristo que a ressurreição é confirmada como verdade, justamente por causa da sua Ressurreição. Por isso, é válido dizermos que o próprio judaísmo foi sendo preparando para o mistério salvífico do Cristo Senhor e que Ele veio quando se deu a plenitude dos tempos. Jesus confirma, primeiro com palavras como ouvimos no Evangelho e depois com a própria Ressurreição, a crença de que após a morte primeira virá a vida eterna. Não fomos, filhos e filhas, feitos para este mundo tão mortal, tão destrutível. Fomos criados para o céu. Fomos feitos para a eternidade com Deus. Deus nos fez para a vida e vida eterna. Este mundo é tão fulgaz, tão passageiro, quase como uma nuvem de fumaça, um mundo, muitas vezes, tão líquido. Não podemos nos esquecer que após esta vida, virá a ressurreição, virá a vida eterna. E como viveremos esta vida eterna dependerá de como vivermos esta vida mortal. Vivamos, pois, abraçando as coisas do alto. Não que as coisas deste mundo sejam ruins, ou que a matéria, ou este mundo seja mal. Pelo contrário, criados por Deus, todas as coisas são boas. O problema é que nós podemos usar das coisas deste mundo de um modo mal. Um dia, enfim, fecharemos nossos olhos para este mundo e acordaremos com Deus. Vivamos, então, no amor, na fé e na esperança, firmes na certeza de que após esta vida, seremos abraçados pelo Pai amoroso o contemplaremos na eternidade. Lá, onde o tempo não tem fim, onde não há espaço, os que nesta vida buscaram a Deus de todo o coração e amaram de todo o coração, entrarão na visão daquilo que nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou: assim é o que Deus tem preparado para àqueles que o amam. Assim seja! Amém.
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