Dom Cristiano Tavares, Arcebispo Eleito de Aparecida, amados filhos e filhas: dentre os diversos aspectos da leitura do livro do Apocalipse que acabamos de ouvir, um aspecto merece ser ressaltado, que é o olhar. O Senhor, por meio de São João, exorta não sermos cegos, mas a enxergarmos bem. Zaqueu, no Evangelho, também queria ver o Senhor, mas sua baixeza não permitia. Vejam, filhos e filhas, muitas vezes nós não conseguimos enxergar bem o Senhor ou o seu projeto para nós, e mesmo que fisicamente vejamos, permanecemos cegos ao Senhor. Somos questionados: o que será que nossa cegueira está nos impedindo de ver? Em primeiro lugar, a cegueira nos impede de ver a nós mesmos e esse é o primeiro grande problema. Quando deixamos de ver a nós mesmos, passamos a nos ter com grande estima. Essa imagem que criamos de nós mesmos tantas e tantas vezes é falsa. Achamos que somos melhores que os outros, que somos bons, ou até mesmo que o que somos basta, é o suficiente. Este auto-conceito de nós mesmo impede a ação de Deus, impede o crescimento da Igreja, impede uma ação pastoral que seja eficaz. É um tipo de cegueira grave, pois nos torna individualistas e egoístas. A cegueira, então, nos impede de ver os outros, de ver o bem da Igreja, e de ver a Deus. Somos chamados a abrirmos os nossos olhos para estas realidades e interpelador a passarmos a olhar para as coisas de um jeito diferente. Não basta vermos, é preciso olharmos de um modo novo: com atenção, perspicácia, esperança. É tão triste quando olhamos para as situações como se fosse um caso perdido, ou com algum tipo de estranheza. Há dentro de nossa Igreja algumas situações que precisamos reaprender a olhar. E como devemos olhar? Não de fora, mas, de dentro. O problema na Igreja é que muitas vezes tem gente que fica sentada de fora, fazendo análise de conjuntura, mas não consegue se por dentro, arregaçar as mangas e olhar para as realidades com compromisso e esperança, olhar de baixo, olhar de dentro. Nosso olhar nunca pode ser alheio, mas deve sempre estar introduzido na realidade, para podermos transforma-la. Deixemos de lado todo tipo de cegueira que nos exalta, que nos faz ver de fora os problemas e que não nos evoca a um verdadeiro compromisso com Cristo e sua Igreja. Assim seja! Amém.
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