Amados filhos e filhas, dos quais saúdo de modo especial Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, Decano do Colégio Cardinalício, estamos celebrando o vigésimo sexto Domingo do Tempo Comum. O Evangelho do domingo passado nos falava sobre usarmos o dinheiro injusto para fazermos os pobres como amigos. Já no Evangelho deste domingo, nós somos apresentados a parábola do rico e de Lázaro. Percebemos, assim, já de cara, o erro do rico: ele não usou do seu dinheiro para fazer de Lázaro um amigo. O rico pode não ter roubado, não ter matado e ter conquistado todo seu dinheiro de modo justo, ainda, assim ele não olhou para Lázaro, não se sensibilizou com sua situação e permaneceu inerte mediante daquele que, no limiar de sua casa, passava sede e fome. Amós, lá no Antigo Testamento, já exortava os ricos, os poderosos: Ai dos que vivem despreocupados, em altos tronos, comendo e bebendo, se perfumando e nem aí para os pobres. Aqui, filhos e filhas, corremos um risco de achar que só os ricos, extremamente ricos, tem obrigação com os mais pobres. Não! Todos nós que vivemos bem, que não passamos necessidade, que temos mesmo que apenas um pouco em excesso, precisamos olhar para os mais pobres. E como fazer isso? Levando alimentos ou outros bens de consumo para os vicentinos ou para as entidades que trabalham com pessoas em situação de vulnerabilidade, fazendo parte destas instituições, dando um prato de comida a quem pedir e muito mais: é preciso olhar também às periferias existenciais, dos pobres e dos não-pobres, que muitas vezes precisam de um abraço, de uma palavra amiga, de um ombro para chorar, e da Palavra de Esperança que só nós, cristãos, podemos dar. Vejam, filhos e filhas, no modo de Jesus contar a parábola poderíamos dizer até que em vida o rico não sabia o nome de Lázaro. Mas, Jesus só nos diz o nome de Lázaro e nunca o do rico: é Deus que sempre olha com preferência aos oprimidos, e não aos opressores; aos que nada tem, e não aos que fecham a mão e o coração; aos que não tem ninguém por eles, e não aos poderosos. Nossa fé nos interpela e nos impulsiona a essas atitudes para fazer uma revolução do amor. Como dizia Clemente II: "Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética!". Sim, pois precisamos fazer uma revolução e esta revolução é a revolução do amor. Quando todos os homens se amarem, quando não houverem necessitados entre nós, nem oprimidos e nem opressores, é porque o Reino de Deus está no meio de nós. E não nos iludamos ou nos alienemos, pensando que esta é uma realidade para além do tempo, na eternidade, ela precisa começar aqui e agora, com uma conversão sincera de cada um de nós. Depois da morte, depois do julgamento particular, não temos mais chance de voltar atrás: há um abismo intransponível entre o céu e aqueles que amam a Deus e os irmãos, e o inferno com aqueles que preferiram viver sem Deus e sem caridade. Assim, irmãos e irmãs, o próprio Jesus no Evangelho que ouvimos recusa qualquer tendência na crença em reencarnação. Nós católicos não cremos em reencarnação, não cremos em duas vidas nesta terra. A vida é uma só e deve ser bem aproveitada! Por isso, amamos também os irmãos por conta de nosso amor a Deus. Conquistar o céu com Deus, no amor, é o combate para a vida eterna que São Paulo convida a Timóteo a combater: e o mandamento que ele deve guardar é o mandamento do amor. Deste modo, filhos e filhas, nós nos preparamos para a vida eterna, assim: amando. Se Deus é amor e o céu é nossa união com Ele no amor, o único modo de antecipar e conquistar o céu é pelo amor. E é assim que nós vamos nos preparando para o nosso encontro definitivo com Deus, no dia em que fecharmos nossos olhos para este mundo e entrarmos na morte: amando a todos, sem discriminação e amando principalmente os que menos são amados neste mundo. Mas, só alguns de nós somos capazes disso, pois há aqueles que não acreditarão mesmo que "alguém ressuscite dos mortos"! Cristo já ressuscitou como primícias dos que morreram. Ainda assim é tão difícil para nós amarmos a todos. Mesmo para nós que cremos na Ressurreição de Cristo, não entendemos a plenitude da força do amor aí manifesta. Cristo Ressuscitado, porém, é a prova de que o amor é vitorioso para sempre e que, para sermos vencedores, venceremos no amor. Assim seja! Amém.
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