Saúdo com alegria e afeto a Dom Eugênio Loscheider, excelentíssimo Arcebispo da Igreja de Aparecida, e em seu nome saúdo a cada um e a cada uma aqui presente. As vésperas da celebração do bicentenário da independência de nosso país, estamos aqui aos pés da Mãe Aparecida. Estamos aos pés daquela que é rainha e padroeira do Brasil, e, por consequência também de nosso Hotel, generalíssima do exército, e enfim, todos os títulos que podemos atribuir a Senhora da Conceição Aparecida. Com essa Liturgia toda votiva, toda voltada a Ela, a reconhecemos como a grande intercessora do povo brasileiro. A rainha Ester que ouvimos na primeira leitura já a prefigurava, quando indo contra todas as possibilidades e podendo até mesmo ser morta por aquele ato, ela vai e pede ao rei a vida de seu povo, a salvação de seu povo. Assim, também Maria quando faltou a alegria naquela festa de casamento, pede que seu Filho Jesus os conceda o vinho novo, a alegria. Nossa Senhora é, assim, a grande intercessora em favor de seu povo. Aqui no Brasil, ela decide aparecer nas águas do Paraíba do Sul. Das águas, que sempre representam a morte, mas que também representam o Batismo, brota a Senhora Aparecida. Ela aparece do modo mais simples: numa pequena imagem, preta, nas mãos dos pescadores, isto é, dos humildes. Hoje é momento de lembrarmos nós também aos nossos governantes, aos grandes do povo, e fazermos nós os papéis de intercessores para dizer: LEMBRAI-VOS DOS POBRES, DOS MENORES DO REINO! A Igreja nunca pode se esquecer de sua opção preferencial pelos pobres. E a pequena Imagem de Aparecida grita conosco! Em sua humildade, em sua simplicidade, em sua pequenez, ela grita junto de nós para que a vida humana seja preservada em nosso país; grita conosco pela dignidade de seus filhos e filhas. Este grito, porém, não pode ser só aos grandes da sociedade. É preciso que comecemos por nós. Precisamos começar a debater as pautas sociais não com um olhar sociológico, como fazem alguns, mas precisamos debater esses assuntos olhando para o alto, para os céus. Não somos sociólogos, não somos ONG, não somos militantes nem de partido X e nem de partido Y, somos Igreja COMO IGREJA DEVEMOS AGIR. A Igreja não pode só olhar para o alto e se esquecer da concretude da vida, tantas vezes dura, de nossos irmãos. Se fosse assim, nem Maria e nem Ester teriam intercedido como ouvimos na Palavra de Deus. A intercessão, o grito, sempre brota da concretude da realidade que estamos inseridos. A mudança passa pelas nossas mãos, pelas nossas ações: quanto tratamos com dignidade a todos os irmãos, dando atenção e alcançando-lhes com um testemunho vivo do Evangelho de Jesus. Que nos unamos nessa mudança de atitude e ergamos nossa voz em defesa dos menores de Deus, pois assim quis nos ensinar a Mãe Aparecida. Ela, da grandeza dos seus títulos e da humildade de sua imagem, quer retirar e quer que retiremos da situação de morte, todos aqueles que convivem conosco. Assim seja! Amém.
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