Saúdo com alegria e afeto a Dom Abade Karol Wojtyla e em seu nome saúdo os demais filhos e filhas aqui presentes. Estamos celebrando a Festa da Natividade de Nossa Senhora. Com esta festa recordamos que a chegada do Filho de Deus, a chegada de Jesus Cristo na natureza humana foi profunda e longamente preparada ao longo da história, com o passar dos séculos e essa preparação vai atingindo seu ponto alto no nascimento de Maria. Mas, não podemos pensar que essa preparação foi fácil. A humanidade não seria capaz de gerar em si o Salvador. Por isso, foi preciso que o próprio Filho viesse a este mundo. Era preciso, porém, que o próprio tempo fosse sendo preparado. Assim, Jesus Cristo se encarna no que chamamos de "a plenitude dos tempos". O tempo da encarnação do Verbo Divino e da nossa salvação foi como um lento e doloroso parto. Mas, era precisamente naquele momento histórico em que Deus deveria vir ao mundo, a pessoa do Filho deveria se tornar Jesus de Nazaré e a salvação deveria chegar, por sua obra, a todo o gênero humano. E o povo de Deus esperava ansiosamente por esse momento. O povo tinha esperança que uma hora chegaria o Salvador e isto já começa a se concretizar com o nascimento de Maria. Como diz Santo André de Creta, ela, agora, vai sendo plasmada, amamentada, cuidada, para se tornar a Mãe do Deus eterno. Com o nascimento de Maria, está mais próxima do que nunca a Salvação e o coração do povo de Deus pôde se encher de esperança, embora não soubessem que Ela seria a Mãe do Redentor. Toda a história humana conduziu para aquele momento de esperança e já de concretização da promessa de Deus. Quase encerrando esta minha visita apostólica ao Brasil por ocasião do Bicentenário da Independência, esta Liturgia nos convida a sermos cheios de esperança. Não desanimemos frente aos obstáculos que a vida e a sociedade nos impõe: somos o povo da esperança. Reconheçamos, pois, a ação de Deus que já acontece em nosso meio e nos coloquemos, em nosso tempo, como seus discípulos e discípulas, preparadores dos corações para que todos entrem na comunhão do Deus amor. Nessa ocasião estamos reunidos para a bênção Abacial de Dom Karol Wojtyla, eleito no último sábado como abade beneditino. Esta bênção é dada a aquele que será pai e que ao mesmo tempo é irmão da comunidade. Em nossa realidade, onde mesmo os religiosos contemplativos estão inseridos na vida pastoral, vós, monges e tu, querido abade, sois convidados a testemunhar ainda mais o seguimento dos conselhos Evangélicos: a pobreza, a castidade e a obediência. Assim, cumprireis ainda mais o desejo de vosso fundador, São Bento, de que sejais homens de trabalho e de oração. Sois chamados a viver a meditação e a oração em comunidade. Dentre vós, monges, deveis ser irmãos. É preciso propor mesmo aos que não gostamos, o amor de Jesus Cristo e testemunharmos sua bondade, sua atitude de perdão, sua misericórdia. Assim, a ordem beneditina deve ser uma ordem aberta a todos e convidar todos os que encontrarem a fazer parte da Igreja. A realidade religiosa que vos propondes a viver como família religiosa deve se alastrar também para toda a Igreja, pois devemos ser uma Igreja de irmãos. E ainda assim nunca podemos nos esquecer que, mesmo entre irmãos, deve haver uma hierarquia. Deste modo, a obediência de todo monge ao prior e ao abade, deve ser também a obediência de toda ordem ao Romano Pontífice. Assim, a ordem não deve e não pode viver isolada, mas deve estar sempre em comunhão com a Igreja, nos eventos, nas atividades, sem perder o que lhes é próprio. Nesta Festa da Natividade de Nossa Senhora, sois ainda mais interpelados a trazerem para a sua espiritualidade esta dimensão do escondimento de Maria. Ela nasce humilde, de pais idosos, e na sua pequenez Deus a vocaciona para ser Mãe do Salvador. Maria é a mulher que soube viver completamente em sua vida o "ora et labora": era mulher da comunhão com Deus e mulher do serviço. Que neste mesmo caminho, Dom Abade Karol, possa tu conduzir os irmãos a ti confiados: caminho da comunhão com Deus e com os irmãos, caminho da humildade e do obediente serviço a Igreja do Senhor. Assim seja! Amém.
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