Amados filhos e filhas, neste vigésimo terceiro domingo do Tempo Comum nós somos questionados: Será que Deus é, de fato, nossa prioridade? Será que estamos sabendo renunciar as outras coisas para sermos discípulos do Senhor? O Evangelho que ouvimos pode nos assustar: é preciso renunciar ao pai, mãe, filho, filha e a si mesmo para ser discípulo do Senhor. De fato, isso não é só para os que tendem para o ministério ordenado. Esta renúncia é para todos. E diante disso, penso em Abraão, quando Deus lhe pediu o filho em sacrifício, Abraão não recusou. Isso é colocar Deus em primeiro lugar. E, se pensarmos que isso é muito duro, muito extremista, lembremo-nos que o próprio Deus, o Pai Eterno, nos amou de tal modo que não poupou o próprio Filho Unigênito, Jesus. Nós, de fato, não compreendemos isso como disse-nos o autor do livro da Sabedoria. Não compreendemos o grande amor de Deus. Foi Sabedoria de Deus em oferecer o Filho pela nossa salvação. E nós nos perguntamos: Que sabedoria é esta? Pois é, é uma sabedoria que está muito além do nosso pensamento, pois mesmo a loucura de Deus é mais sábia do que a nossa loucura. E foi designío de Deus que nossa Salvação chegasse pelo extremo do amor. Que outro deus, além do nosso Deus, fez isto pelo seu povo? Que divindade de qualquer religião senão o nosso Deus ofereceu o próprio Filho para resgatar a criatura? Que Deus se oferece para a morte de cruz por amor daqueles que tinham a condição de pecadores, de desobedientes? O Pai colocou em nossas mãos o seu Filho. O Filho Eterno renunciou a sua vida, abnegou-se, para que nós fossemos salvos. O Espírito foi derramado sobre nós na cruz do Senhor. Ficaremos, nós, inertes a este mistério? Iremos assistir simplesmente, e mesmo que maravilhados, permanecer parados? Não podemos, filhos e filhas. São Paulo, na Carta a Filêmon, essa carta de um único capítulo e que ouvimos hoje, pede a Filêmon que liberte Onésimo. Onésimo era escravo de Filêmon e Paulo o pede que renuncie seu direito sobre esse escravo para que ambos sejam ainda mais irmãos, em Jesus Cristo. Na dinâmica de Deus, um não poderia ser escravo do outro, pois o próprio Jesus já nos libertou de toda escravidão, agora todos devemos ser irmãos e irmãs. Que saibamos renunciar a tudo aquilo que colocamos em primeiro lugar e que não seja Deus, para assim Ele ser nosso motivo, nossa razão de viver e de ser. Assim seja! Amém.
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