Amados filhos e filhas, estamos celebrando a festa da Exaltação da Santa Cruz. Esta festa está relacionada a dedicação da Basílica do Santo Sepulcro, que foi construída sobre o calvário, e ainda ao descobrimento da Cruz por Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, e que depois se estendeu ao mundo todo para celebrar a Cruz do Senhor. Hoje somos chamados a contrapor duas árvores: a primeira é aquela que é a árvore do conhecimento do bem e do mal, de cujo ramos brotou o fruto do pecado; a outra é a nova árvore da vida, a árvore da Cruz. Numa árvore brota a morte, noutra, na Cruz, brota a vida em plenitude. Celebramos a Santa Cruz não como o instrumento de tortura que outrora era, mas, como instrumento pelo qual chegou a salvação. Como afirma Santo André de Creta: "Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno. É, portanto, grande e preciosa a cruz." Quando olhamos para a Cruz de Jesus, faz todo sentido o que Jesus diz para Nicodemos, que seria necessário que Ele fosse levantado para salvar o mundo, como no antigo testamento Moisés levantara a serpente no deserto. Sim, se no tempo do deserto Deus enviou serpentes para ferir o povo como consequência de seu pecado, Ele também mandou que a Moisés colocasse a serpente de bronze sobre uma haste para que todos que a olhassem ficassem curados. Esta imagem prefigura Jesus Cristo crucificado, que, elevado sobre a cruz, com seu sangue ungindo o que se tornaria o madeiro sagrado, salva a humanidade, reconcilia-nos com o Pai, oferecendo-se a si mesmo como vítima inocente. Nós exaltamos e celebramos a Cruz onde Jesus ofereceu sua vida em expiação por conta dos méritos do próprio Cristo. Por isso, a imagem de Cristo é sua imagem pendente da Cruz. O sacerdócio de Cristo, o bom pastoreio de Cristo, a redenção de Cristo, enfim, todos aspectos que podemos considerar sobre o Senhor, todos eles alcançam sua consumação na Cruz. Até mesmo o Ressuscitado traz nas mãos, nos pés e no lado, as marcas, as chagas da sua crucifixão. Isto nos faz recordar que Cristo Crucificado já é a vitória sobre o pecado e garantia de sua vitória sobre a morte. Assim, hoje retornamos a aqueles dois momentos: da Paixão e da Ressurreição, isto é, retornamos à Páscoa do Senhor e a revivenciamos em toda sua força salvadora. Mas hoje, filhos e filhas, poderíamos nos perguntar: Por que a Cruz? Por que este modo tão cruento, tão duro, tão sangrento, tão doloroso? Por que a Cruz acompanha também as nossas vidas? Por que tanto sofrimento no mundo? Para essas perguntas poderíamos encontrar diversas respostas, mas, que ainda permaneceriam superficiais. Aproveitemos, portanto, para olhar, contemplar, se maravilhar, o inefável, o inexplicável desígnio do Filho Unigênito, Deus com o Pai e o Espírito Santo, que tanto nos amou, tanto nos amou, tanto nos amou, que se ofereceu por nós na Cruz e a santificou como instrumento de Salvação de toda humanidade. Abracemos, então, também nós as nossas cruzes do dia a dia, e abracemos a Jesus Cristo Crucificado, e nos unamos a Ele de tal modo, que possamos ter parte na sua Ressurreição. Assim seja! Amém.
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