quinta-feira, 6 de outubro de 2022

06.10.2022 - Consistório de Criação Cardinalícia do Pe. Francisco Reis

Amados filhos e filhas, dos quais saúdo de modo especial Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, decano do colégio Cardinalício e o Pe. Frei Francisco Reis, que hoje é criado cardeal e introduzido neste dileto colégio. Este Consistório, bem sabeis, coroa os cinco anos de serviço diaconal de Francisco Reis, que foram completos no último dia 29. Por isso, ao o criarmos hoje como membro do colégio de Cardeais, no estado de cardeal emérito, ressaltamos seu valoroso serviço. E este é o termo que deve ser ressaltado cada dia mais: serviço. Serviço e ministério dentro de nossa linguagem teológica tem o mesmo sentido: sim, pois o serviço é um ministério e ministério é serviço. Neste sentido compreendemos o texto bíblico que acabamos de ler. O servo, na compreensão judaica-pagã é aquele que está mais próximo do senhor, mas que não se assenta na mesa com seu mestre. Para nós, o servo não é aquele que por si merece a glória e ocupa um lugar de poder e destaque. Ainda assim, o servo é o que está mais próximo do seu senhor. E está como? Servindo. O cálice que Jesus oferece aos seus discípulos é o cálice do sangue derramado, e que é o sangue de Cristo derramado senão o auge do seu serviço, do seu ministério, que foi a entrega de sua própria vista para a redenção da humanidade, para sua reconciliação, que alcança para si próprio e para nós a ressurreição? Sim, filhos e filhas, somos convidados, portanto, a oferecermos também nós o nosso sangue, nosso suor e lágrimas, doando-nos e desgastando-nos pelos nossos irmãos e irmãs. A isto todos somos convocados pela nossa própria vocação universal a santidade. Mas, vós, cardeais, sois chamados a isto de modo singular: como membros deste distinto colégio, que vestis o vermelho, o rubro, que vos revestis da cor do sangue, deveis deixar vossos tronos, vossas cátedras, e ir em serviço. Serviço em primeiro lugar a Deus; depois ao Romano Pontífice; aos Dicastérios e ministérios a vós confiados; ao clero e a todo o povo de Deus. O serviço manifesta-se na proximidade e no próprio desempenhar das funções, abandonando-se e desgastando-se. O homem que em sua vontade de poder, em seu ímpeto vital mais profundo, tem o desejo de em toda sua força abraçar o próprio sofrimento e o dos outros para dignificá-los, este alcançou a mais autêntica das existências, pois descobriu em si toda a força do amor.Assim, o Cardeal Francisco Reis, todos os cardeais e todos nós aqui reunidos bebamos do cálice do sangue, do cálice do serviço, e desempenhemos com fidelidade o que a Igreja e por meio dela o próprio Deus nos confia. Assim seja! Amém.

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