domingo, 28 de janeiro de 2024

28.01.2024 | IV Domingo do Tempo Comum

Santo Padre, Paulo V, amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o quarto domingo do Tempo Comum. Já no Antigo Testamento, Deus prometeu a vinda de um grande profeta a Moisés, um grande profeta que fosse semelhante a ele. O pleno cumprimento desta promessa é, como bem sabemos, Jesus Cristo. Mas, todos nós, pelo batismo somos configurados a este profetismo de Cristo. Só que para sermos profetas, nós não podemos fechar o coração à voz de Deus, como nos cantou o salmo responsorial. O profeta deve ter uma íntimidade profunda com o Senhor. Esta intimidade, São Paulo fala aos Coríntios, está de acordo com a dedicação da própria vida. O solteiro, a solteira, aquele que abraça o celibato, deve ter uma intimidade profunda e direta com o Senhor, cuidando das coisas dele. Agora, o casado, a casada, também deve se dedicar as coisas de Deus e a intimidade com Deus, por meio do esposo, da esposa e das coisas temporais. Se não tomarmos cuidado, leremos São Paulo como um maniqueísta, onde o mundo é ruim e só o espiritual é bom. Não deve ser assim. Deus perpassa todas as realidades e deve em todos os lugares estar presente por meio de nós, por meio do nosso "ser" profetas. Jesus, no Evangelho que São Marcos narra para nós neste domingo, mostra-nos como ele é o verdadeiro profeta e imagem para todo profeta. Ele prega com autoridade. Que autoridade é essa? É a autoridade moral. Jesus fala com jeitinho carinhoso, mas com autoridade, com verdade e às vezes com dureza. Mas, Jesus não desrepeita, não é grosseiro, não se impõe. Ele "é" e quem quiser, o segue. E na sua pregação em Cafarnaum, Jesus foi interrompido pelo homem possesso que não suporta a palavra de Jesus, mas reconhece quem ele é. Jesus, diante disso, não diáloga. Logo expulsa o demônio. Exorcismos, nós bem sabemos, são muitas vezes demorados e difíceis. Dizem que uma das coisas que o demônio mais faz é lembrar ao exorcista dos próprios pecados. Jesus nos mostra que com o Diabo não se conversa. Das duas uma: ou o expulsa, quando podemos, ou corremos. Não dá pra ficar de lenga-lenga com o inimigo. E, quantas vezes, nós ficamos damos trela para o demônio que fica nos acusando com o objetivo de nos afastar de Deus. Diante dessa cena, reconhecem: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!”. Sim, irmãos e irmãs, chegou em Cristo um novo tempo, tempo de uma nova profecia. Ele próprio é o profeta e a profecia já cumprida e faz de nós profetas nele. Para sermos profetas nele, precisamos da mesma autoridade, que só vai ser possível com a intimidade com Deus, abrindo a ele o nosso coração e permitindo que ele nos perscrute. Senão, irmãos e irmãs, jogaremos palavras ao vento. Nossas palavras, muitas vezes podem sair da boca, do racional, com belíssimos discursos até teológicos, ou discursos moralistas, ou, ainda, discursos com intuíto de emocionar e de fazer de nós pregadores reconhecidos. A palavra do profeta sai do coração, de uma experiência profunda e verdadeira com Deus, com a pessoa de Jesus Cristo. Ou é assim, ou é melhor ficarmos de boca fechada. Assim seja! Amém.

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