Irmãos caríssimos, membros do clero desta nossa arquidiocese que estou Administrador Apostólico, enquanto aguardamos que Dom Nadson Cardeal Paixão, nosso dileto Arcebispo, possa voltar a estar nos pastoreando e demais irmãos e irmãs presentes em nossa assembleia celebrativa. Celebramos nesse Domingo, o Dia do Senhor, o IV Domingo do Tempo Comum. A Liturgia deste domingo nos evoca a sermos decididos pelos caminhos do Senhor. A primeira leitura do profeta Jeremias nos recorda como Deus já havia escolhido o profeta antes de nascer e como o robustece com a força para a missão de anunciar a Boa Nova, de modo que ele não precisa ter medo, pois o Senhor mesmo o protegeria. Mas, apesar dessa eleição, apesar dessa escolha de Deus e da proteção de Deus, o próprio profeta optou por ser anunciador, ele se decidiu. Quando decidimos por Deus, Ele se decide por nós. Quando o escolhemos, Ele nos escolhe. Jesus foi um homem decidido. Ele, que tudo sabia, sabia qual era o caminho que Ele devia seguir. Após se declarar como Messias na sinagoga de Nazaré, Jesus é renegado pelo seu povo. Mas, Jesus recorda ao povo que foram eles quem decidiram, quem escolheram, não permitir a ação de Deus no meio deles. O povo não aceitou a ação do Senhor, não aceitou os profetas, por isso Elias salvou da fome a viúva de Sarepta e não uma de Israel, por isso Eliseu curou da lepra Naãma, o Sírio, e não um leproso israelita: pois o povo decidiu não acolher a ação de Deus em seu meio. Mas nós também podemos dizer não ao Senhor e a sua ação. Podemos ir procurar ídolos, procurar outros senhores, outros caminhos, outras razões para a nossa felicidade e nossa completude. Corremos o sério risco de mesmo ouvindo a Palavra e comungando da Eucaristia, decidirmos por caminhos diferentes do caminho do Senhor. Nós ouvimos no final do Evangelho, quando vão lançar Jesus pelo precipício, como Ele passa pelo meio do povo e segue o seu caminho. O caminho de Jesus, o caminho do cristão, é o caminho da cruz. Jesus estava decidido disso e nós precisamos também nos decidir por isso. Precisamos nos decidir pelo caminho de Jesus mesmo sabendo que esse caminho vai nos levar ao alto do calvário, e assim teremos a força e o poder de passar por meio de qualquer problema de nossas vidas, como Jesus passou pelo meio daquela multidão. Deste modo, São Paulo nos canta na 1ª Carta aos Coríntios o belo Hino à Caridade, onde exalta o amor. Caridade aqui não é esmola: é amor. É um amor tão forte, tão decidido, que dá a vida e se entrega pelo outro. O caminho da cruz é o caminho da caridade, do amor. Sim, somos salvos pela fé. Sim, devemos ter esperança. Mas, sem o amor, essas coisas seriam inúteis. Decidir pelo caminho de Jesus é decidirmos pelo amor, pela caridade, pela entrega, e quando entrarmos nesse caminho não tenhamos medo: o próprio Cristo é o nosso caminho. Amém.
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