São João Evangelista um amor profundo por Nosso Senhor. A este amor quis imitar ao longo
de todo o pontificado. Iniciamos com a Igreja em tempos difíceis. Nossa primeira grande atitude
foi o fechamento das arquidioceses nos hp´s. O resultado a curto prazo foi catastrófico, surgiu
uma cisma. Veio então, a abertura do Concílio Vaticano VII, que se realizou diferente do meu desejo.
Mas, tudo bem, tudo foi graça de Deus. Foi graça de Deus, até na emeritação e nos ataques que
sofri por Dom Isaac Xavie, que por mentiras, demonstrou-se extremamente descontrolado, havendo
necessidade de diálogo com membro de sua família. Realizamos as quatro sessões conciliares
com sucesso ao meu ver, pois era um concílio de manutenção, de continuidade. Encerramos o concílio,
comigo já cansado, e já tendo anunciado a renuncia nesta presente data. De fato, não foi um grande
pontificado. Foi um pontificado onde minhas limitações ficaram cada vez mais claras. Seja nas
brincadeiras, recentemente colocadas a público, seja no tempo que pude dedicar a vocês. Minhas
limitações ficaram claras nos momentos onde não vos dei a atenção merecida, seja pelo tempo,
seja pelo cansaço. Foi um pontificado onde fui colocado aos extremos, e testado até o último minuto.
É fato, que, logo mais, tudo isso acabará, mas não acabará a tempestade que ainda persiste e persistirá.
Sim, tempestade, pois a barca de Pedro sempre vai passando por tempestades. É natural dos que
navegam em alto mar. A barca está em alto mar, vem as ondas, vem as fortes chuvas, tudo tentando
virar a barca, são raros os momentos de calmaria para a Igreja. Não me refiro a mim, mas me refiro
a Igreja toda, que sofre com atitudes de alguns, mas que também sofre em momentos de baixa
do clero, de desanimo. E irmãos, a Igreja deve continuar vencendo estas tempestades. Mas volto
a falar sobre este pontificado, com humildade pedindo perdão. Perdão por aquilo que fiz as escondidas.
Perdão pelas brincadeiras. Perdão pela ausência. Perdão por não ter sido capaz de me assemelhar
completamente ao Cristo Bom Pastor. Mas creio que fiz o melhor que pude, com todas as minhas
limitações e dificuldades. Creio firmemente que fiz aquilo que estava ao meu alcance, e fiz por amor.
Amo a Igreja, e tudo o que fiz por ela, foi por amor. E se logo mais, às 22h30, deixa de existir
João II
também é por amor. Sei o quanto a Igreja sofre com um pastor ausente, cansado. E por reconhecer
tudo isso e meus limites, deixarei a cátedra de Pedro. Sigo na certeza, de que, mesmo com tudo,
colaborei um pouco com esta maravilhosa obra da salvação, e continuarei a colaborar, voltando
ao colégio de cardeais. Mas, tudo o que vivemos, ficará guardado em meu coração. Vi cada clérigo
em um crescimento pessoal, e tive um crescimento pessoal. Tudo foi trabalhado de forma silenciosa,
imperceptível a quase todos. Neste silêncio, muita coisa foi feita. Não grandes feitos, estrondosos,
mas, crescimentos pessoais em cada um. Em cada homilia, em cada reflexão, em cada momento
com cada um, fui fazendo aquilo que é a missão de um papa. Por fim, leio com vocês alguns trechos
da minha carta de anúncio da renúncia, pois, ao escrever este discurso, vi que lá está tudo o que
quero dizer-vos.
Parto não porque é mais simples para mim, ou menos trabalhoso. Há tantas coisas que ainda
queria fazer convosco. Tantos planos, tantos projetos... E, por mais doloroso que me é fazer isso,
sinto que é o tempo. Prefiro vos deixar com amor. Amor por cada um de maneira especial, sobretudo
por aqueles me ajudaram mais de perto ao longo do pontificado. Foi um pontificado que vivi
com intensidade, e aqueles que se abriram a ele também puderam viver. Poderão vir papas que
mudarão aquilo que fizemos. Haverão aqueles que poderão me criticar, poderão vos criticar.
Mas, aquilo que Deus operou em nós, a nossa amizade, os nossos momentos juntos, tudo que construímos,
isso sempre permanecerá em uma página da história que ninguém jamais poderá apagar. Permanecerá
eternamente em nossos corações. E vocês, cada um, permanecerão eternamente na história do
Pontificado de João II. Sempre vos disse que ninguém é papa sozinho. E tudo o que houver de bom
a ser lembrado sobre mim na história, eu dedico a vocês. Vocês quem fizeram todo este pontificado,
eu fui apenas um instrumento de Deus para vos guiar. Tudo foi feito por vocês.
Há, obviamente, aqueles que não conseguiram crescer nada nesse pontificado, pois permanecem
colocando-se limites. São ignorantes. Virá outro, e também como ele vocês devem crescer e fazê-lo crescer;
aprender e ensinar; obedecerem e ama-lo; viver com intensidade cada momento não só do pontificado,
mas da vida de vocês. Mesmo com tudo que pesar ao contrário, não se lembrem do meu lado ruim,
nem mesmo do lado bom, lembrem-se sempre do que vos disse desde o primeiro dia: VIVAM COM INTENSIDADE, COM AMOR, A DOAÇÃO A JESUS CRISTO!
ELE VALE TUDO! NÃO TENHAM MEDO! FAÇAM DA NOSSA IGREJA UMA IGREJA BONITA,
QUE RESPLANDECE A TODOS O ROSTO DO RESSUSCITADO! NÃO PERCAM A ESPERANÇA!
Esta não era a minha missão, é a missão de todos vocês. Não deixem-a para trás! Permitam ao
Espírito Santo realizar esta obra através de vocês. Não se esqueçam disso jamais!
É sempre um novo tempo, de erguermos o estandarte da cruz, e arrebanharmos as almas ao Cristo!
Para encerrar: VIVAM COM INTENSIDADE!
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